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“Hoje dou mais valor à vida”, diz blogueira que sofreu necrose após aplicação de gel

Com a promessa de resultados instantâneos e duradouros, o PMMA (polimetilmetacrilato), usado para preenchimento, tem provocado reações que vão desde ...

Daniele Tannure ficou com cicatriz acima do bumbum por causa de gel

Última atualização

Com a promessa de resultados instantâneos e duradouros, o PMMA (polimetilmetacrilato), usado para preenchimento, tem provocado reações que vão desde deformidades, necrose (morte do tecido) e, em casos mais graves, até a morte

As marcas do procedimento estético ainda estão no corpo, em formato de uma grande cicatriz, mas hoje elas são usadas para dar força a outras mulheres que passaram por problemas semelhantes.

A blogueira Daniele Tannure, de 33 anos, contou que, após sofrer necrose no glúteo, que já a obrigou a fazer duas cirurgias, chegou a entrar em depressão. “Venci a depressão e hoje uso as redes sociais para ajudar outras mulheres. Dou mais valor à vida”.

Daniele Tannure fez a aplicação há 10 anos, no Rio de Janeiro. “Na época, estava em alta, e era algo mais barato que uma cirurgia plástica. Quando coloquei, ficou ótimo, deu o volume e contorno que eu queria”, contou.

Mas com o tempo ela começou a notar que algo estava errado. “De cinco anos para cá, vi que o glúteo deu uma escurecida, como uma mancha. Mas não procurei um médico, e fui deixando. No ano passado, comecei a sentir dores, apareceram nódulos na coluna, além de flacidez”, disse a blogueira

Daniele buscou ajuda médica, mas segundo ela, muitos diziam que não trabalhavam com esse tipo de procedimento. “Pesquisei e cheguei até um profissional, também, do Rio de Janeiro que trabalhava com pessoas que tinham tido problemas. Em janeiro, operei novamente” explicou.

Ela contou ainda que, fez uma ressonância e foi para a cirurgia sentindo que tudo ia dar certo. Mas quando o médico abriu que foi ver a extensão do problema, da área necrosada.

“Ele chegou a tentar costurar, mas estava tão infeccionado que não tinha como. Ficou aberto.
Na primeira semana, eu não conseguia andar de tanta fraqueza. Só ficava deitada de bruços”, relatou Daniele.

Depois, a blogueira descobriu que, após a cirurgia, ela teve anemia profunda. Por isso, teve que ficar três meses no Rio de Janeiro com o marido, sem ver seus filhos. “Entrei em depressão”, contou.

“Pensava que não ia mais conseguir andar, tinha casado havia pouco tempo, estava longe de casa. Há um mês, tive de passar por outra cirurgia para retirar mais material. Em outubro, devo fazer outra”, ressaltou.

De acordo com Daniele, o motivo das diversas cirurgias é porque o PMMA se mistura aos tecidos e fica difícil tirar. Segundo o médico, que atendeu a blogueira, quanto mais tempo demora para dar problema, pior fica.

Hoje ela convive com uma grande cicatriz de um lado a outro do quadril. “Já tive vergonha de mostrar, mas não tenho mais. Para mim, é prova do que passei. Já fui mais vaidosa, mas hoje dou mais valor à vida”, disse.

Daniele disse ainda que a sua maior vitória foi ter vencido a depressão. “Comecei a ter no meu Instagram uma forma de ajudar outras pessoas. Hoje, tenho mais de 15 mil seguidores e todos os dias recebo mensagens de mulheres de todo o mundo que passaram por isso”, contou.
 

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