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Cidades

Gel usado para preenchimento ameaça a saúde das mulheres

Com a promessa de resultados instantâneos e duradouros, o PMMA (polimetilmetacrilato), usado para preenchimento, tem provocado reações que vão desde ...

Daniele Tannure ficou com cicatriz acima do bumbum por causa de gel

Última atualização

Com a promessa de resultados instantâneos e duradouros, o PMMA (polimetilmetacrilato), usado para preenchimento, tem provocado reações que vão desde deformidades, necrose (morte do tecido) e, em casos mais graves, até a morte.

Segundo médicos, há casos em que os problemas aparecem anos depois da aplicação.

O produto ganhou evidência há alguns anos. Em 2018, uma bancária de 46 anos, do Mato Grosso, morreu seis horas após se submeter a um preenchimento dos glúteos na residência do médico Denis Cesar Barros Furtado, o “doutor Bumbum”, no Rio de Janeiro.

O cirurgião plástico Ariosto Santos disse  que a procura por cirurgia íntima teve um aumento de  23% (Foto: Rodrigo Gavini/AT)De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional Espírito Santo (SBCP-ES), Ariosto Santos, o produto não é indicado atualmente pela sociedade, justamente pelos problemas associados a ele.
“Tivemos muitos casos de necrose no nariz, lábio, bumbum. Hoje, esse tipo de preenchimento foi proscrito”, disse.

Ele explicou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) libera o uso em pacientes com Aids, após apresentarem depressões na face. “É preciso ter cuidado com profissionais que não são da área médica, com títulos que nem existem, que ofertam esses procedimentos”, alertou.

O cirurgião plástico Adriano Batistuta explicou que o PMMA é uma substância com microesferas, que proporciona um preenchimento. “O problema é que, quando colocamos uma prótese no glúteo, ela pode ser retirada se houver reação. Já o PMMA se mistura no meio dos tecidos. Então, retirar fica difícil”.

A dermatologista especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia Karina Mazzini afirmou que há casos de mulheres que apresentam problemas, como necroses, até 10 anos após a aplicação do produto.

“É um material de preenchimento sintético, de custo mais baixo. Algumas pessoas vendiam o produto como se fosse algo maravilhoso e definitivo. Já vi pacientes que colocaram no glúteo e a substância foi parar no calcanhar”.

Ela frisou que o grande material de preenchimento é o ácido hialurônico, que é absorvido pelo organismo após um tempo, com menos reações.

“É preciso verificar o profissional que vai fazer o procedimento, perguntar a substância usada, pesquisar e, principalmente, evitar usar produtos definitivos, pois o organismo pode depois de um tempo não reconhecer aquilo e reagir”.

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