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“A escola como era morreu”, afirma especialista em Educação

Com os grandes desafios para as escolas trazidos pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19) nos últimos meses, a educação deve passar por mudanças, ...

Geraldo Peçanha defende ensino híbrido, com aulas presenciais e online

Última atualização

Geraldo Peçanha defende   ensino híbrido, com aulas presenciais e online (Foto: Divulgação )Com os grandes desafios para as escolas trazidos pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19) nos últimos meses, a educação deve passar por mudanças, mesmo após um retorno das aulas presenciais.

Autor de mais de 70 livros, o psicanalista e pedagogo Geraldo Peçanha de Almeida afirma que “a escola como era acabou”, referindo-se à necessidade dos gestores e educadores pensarem em mudanças rápidas para a forma do ensino.

O educador foi um dos palestrantes do I Congresso Educacional Digital, do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES), realizado ontem. Ao todo, mais de 3.200 pessoas passaram pelo evento, transmitido ao vivo, durante a tarde.

Geraldo Peçanha falou sobre a volta às aulas presenciais e como acolher os professores e colaboradores para que possam receber os alunos nas instituições de ensino.

Durante sua apresentação, ele ressaltou a necessidade de as escolas adotarem o ensino híbrido, que deve permanecer dentro da metodologia das escolas mesmo após a pandemia.

“A experiência de aula remota terá que ser inserida na metodologia de ensino. Tem que ser bem feita. Está centrada na participação da família, no protagonismo do aluno e na necessidade da escola”.

Ele explicou que o ensino híbrido depende de projeto específico, de metodologia online e offline, para criar um ensino dentro da vida dos estudantes.

Segundo Geraldo Peçanha, seria dada aos alunos uma sequência didática, com um tema e vários subconteúdos, para que eles pesquisem e desenvolvam um material para ser apresentado ao professor.
O educador reconheceu que há problemas em formatos de algumas instituições.

“Há escolas dando quatro horas de aula seguidas para um aluno pela internet, quando as orientações de neurociência são que nenhum ser humano é capaz de ficar na frente de uma tela quatro horas com conteúdo e ter equilíbrio emocional e capacidade de memorização, eliminado estímulos concorrentes”.


O que ele diz sobre:


Ensino híbrido

“Em abril, começaram a aparecer as plataformas para ensino, iniciando um ensino parecido com o híbrido. Mas ensino híbrido depende de projeto específico, de metodologia online e off-line, para criar um ensino onlife, dentro da vida. Mas se a gente nunca tinha feito, não é no meio da pandemia, e de uma hora para outra, que a gente ia aprender a fazer (…)

Nessa hora, temos todo tipo de problema: tem escolas dando quatro horas de aula seguidas para um aluno pela internet, quando as orientações de neurociência dizem que nenhum ser humano é capaz de ficar na frente de uma tela quatro horas com conteúdo e ter memória, equilíbrio emocional, eliminado estímulos concorrentes e capacidade de memorização”.

Problemas

“De julho para agosto, não tinha mais vaga para atender adolescente esgotado, com insônia, com dificuldade nervosa, ansiedade. O pior é que muitas plataformas fizeram um trauma. Assim que o aluno entra na aula online, todos são bloqueados, ou seja, ele olha para uma tela. Esse comportamento do professor fechar a boca dos alunos todos os dias não é de acolhida.

Temos que falar em acolhimento. Mas, nos últimos meses, estamos colocando uma carga enorme sobre a cabeça desses alunos de conteúdo e necessidade pedagógica, e do outro lado, temos o pai falando que não sabe isso, que não pode ajudar”.

Tecnologia

“Há dois meses, a ONU (Organização das Nações Unidas) tem dito que ou nós entendemos o que é ensino híbrido e fazemos, ou perderemos uma geração inteira se não retomarmos as aulas. E retomar não significa voltar para dentro das escolas”.

Vacina

“Não é só ter uma vacina, pois ela não resolve o problema. Uma vacina não é cura, é uma proteção. O que a ONU está dizendo é que não se condicione a aprendizagem e a necessidade de ensino a uma vacina.
Mesmo que tenha a vacina, ela será aplicada de forma escalonada. E mesmo que o governo autorize o retorno, será escalonado. Mesmo que volte, os pais podem optar se os filhos voltam ou não”.

Participação

“Se a escola não mudar, vai levar o impacto para os alunos, e eles não vão aguentar. Eles vão embora. O ensino híbrido tem que ser a nossa realidade. É um desejo da criança e um desafio da escola.
O que estou dizendo é que temos que fazer acolhimento, sim. Temos que falar com a família, ter reuniões, lives, para preparar a família para isso. Não para resolver o problema desse mês, mas de 2021 também”.

Nova metodologia

“A palavra do gestor hoje é agilidade. O dono da escola tem que entender, de hoje para amanhã, que o negócio dele tem que ter um novo formato. Vejo pessoas fazendo um esforço como se o retorno das aulas presenciais fosse resolver o problema dele, mas não vai. Mesmo que retorne amanhã 100% presencial, a experiência de aula remota terá que ser inserida na metodologia do ensino. Só que tem que ser bem feito (…)

É preciso entender que a escola como era morreu, acabou, pois estamos descobrindo muitas coisas nesse período a respeito do material didático, que ele não serve para muitas situações, que ele não dá conta. Tem várias descobertas. Eu posso fazer de conta que não estou vendo ou realmente ver que a escola tem que mudar.”

Fonte: Geraldo Peçanha de Almeida, psicanalista e pedagogo.


Mistura de presencial e online no “novo normal”

O Congresso Educacional Digital, realizado pelo Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES), também tratou do chamado “novo normal”, que tem sido uma expressão cada vez mais popular.

Pondé:  “tendência de hibridez” (Foto: Divulgação)Para o filósofo, escritor e diretor do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, Luiz Felipe Pondé, a expressão pode ser usada se pensada em um futuro próximo do pós-pandemia, com alguns protocolos de segurança e um certo confinamento.

“Temos parte dos alunos recebendo conteúdo a distância, o que deve corresponder a 40% do total de estudantes no País. Se entender o novo normal como a educação está acontecendo agora ou a partir do ano que vem, com a chegada das vacinas, diria que o novo normal está associado a uma tendência de hibridez”, observou.

“Assim, continuarão a ocorrer as atividades presenciais e também as remotas. O híbrido pode ser, de fato, um novo normal”, disse o filósofo.

Ele ressaltou, no entanto, que é preciso evitar a ideia de que a pandemia irá trazer grandes mudanças à sociedade a longo prazo.

Para dar exemplos, Pondé comparou a pandemia do coronavírus à gripe espanhola e outras.

“Essa comparação nada tem a ver com as vidas perdidas e quem perdeu pessoas, pois elas não serão esquecidas. Mas, olhando outras grandes pandemias, elas não fizeram com que as pessoas ficassem mais conscientes ou mudassem. A humanidade nunca mudou durante período de grandes crises”.

Luiz Felipe Pondé ressaltou, no entanto, que “no varejo” algumas coisas devem mudar. No caso da educação, por exemplo, ele citou que deverá acontecer um maior uso das tecnologias remotas no ensino.

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