
Então, a Mariana, além de ter sido estuprada, sofreu humilhações durante o processo. Como isso é possível? Infelizmente, esse é um retrato que evidencia que a cultura do estupro e do machismo está encarnada no sistema de Justiça brasileiro.
Como mulher, ginecologista e sexóloga, posso afirmar que estupro representa a maior violência à dignidade da mulher e deve ser duramente reprimido. A mulher tem o direito de querer ou não a relação sexual e deve ser respeitada por isso.
Em relação ao termo estupro culposo é um termo que não existe e não foi usado no processo, ele foi criado por algumas mídias para explicar o entendimento do julgamento para a população, desse modo esse crime ficou assim: “houve o estupro, mas não houve a intenção”, pode isso, Brasil?
Então, pessoal, vamos resumir as definições para ficar bem fácil para todo mundo entender?
1 – Se a mulher estiver dormindo, é estupro.
2 – Se ela estiver sóbria e quiser ter relação tudo bem, você está no caminho certo; mas, se ela não quiser ou desistir, é estupro.
3 – Se ela estiver bebido e não estiver 100% consciente, é estupro.
4 – Se ela estava consciente e ficou inconsciente durante um tempo, é estupro.
5 – Se ela não tem outra escolha, é estupro.
6 – Se ela foi ameaçada, forçada ou enganada, é estupro.
Ahh, mas é minha esposa, namorada, ficante…, é estupro
Ah, mas só rolou sexo oral, não teve nem penetração…, é estupro.
Sexo só é consentido quando as partes interessadas querem! Se um não quer ou não tem condição psicológica de escolher naquele momento, é estupro e ponto!
Infelizmente, muitas vezes, a vítima é humilhada e culpada por essas situações. Ah, mas você estava com essa roupa, provocante, estava querendo; ah, mas você foi lá atrás, está querendo mesmo.
As pessoas que julgam o caso e falam que qualquer mulher inventou que foi estuprada não sabem o quanto é difícil levar adiante uma denúncia desse tipo.
Como mulher, quando eu vi o vídeo do julgamento, fiquei chocada e me lembrei de várias pacientes que atendi que já sofreram abuso e pensei no absurdo e na falta de empatia para com a pessoa que após passar por um processo traumático ainda precisa ser submetida a uma humilhação para provar que é vítima.
É muito importante quando um abusador é condenado porque valida a história da vítima. Se a pessoa não é condenada, parece que tudo o que você falou pode ser mentira. Muitas se sentem culpadas por isso.
Então é isso, pessoal. Gostaria de saber o que vocês acharam desse caso? Qualquer dúvida, estou lá no insta @lorenabaldotto e a gente vai poder conversar mais sobre o assunto!