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Idosos do Estado são os que têm maior chance de viver mais

No ranking de longevidade, idosos que vivem no Espírito Santo estão na liderança, com maior chance de viver por mais tempo, quando comparados a ...

Maria da Glória Costa Santiago, de 86 anos, e Vera Celsa Teixeira, 80

Última atualização

No ranking de longevidade, idosos que vivem no Espírito Santo estão na liderança, com maior chance de viver por mais tempo, quando comparados a pessoas da terceira idade de outros estados.

Dados da Tábua Completa de Mortalidade de 2019, divulgada nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que as pessoas que chegaram aos 65 anos no Estado vivem, em média, mais 20,5 anos, ou seja, até os 85,5 anos.

Essa expectativa de vida dos idosos do Espírito Santo é a maior do País, que tem uma média de 18,9 anos a mais a serem vividos.

Amigas de longos anos, Maria da Glória Costa Santiago, de 86 anos, e Vera Celsa Teixeira, 80, têm uma coisa em comum: as duas desfilaram e atuaram como modelo fotográfico na juventude. Hoje, em Guarapari, elas relembram os trabalhos que fizeram após várias décadas.

Maria da Glória Costa Santiago, de 86 anos, e Vera Celsa Teixeira, 80 (Foto: Roberta Bourguignon)

“Não há somente um segredo para chegarmos à terceira idade de bem com a vida, mas uma coisa aprendi: não podemos perder o espírito esportivo, e devemos procurar não guardar mágoas. Estou sempre disposta a ajudar as pessoas, e amo me reunir com as amigas para papear. Participamos juntas de uma organização, que é o Lions Clubs, e atendemos a causas humanitárias. Isso nos faz muito bem”, conta Maria da Glória.

Mas os dados apresentaram diferenças entre os sexos. As mulheres de 65 anos no Estado viveriam, em média, até 87,3 anos. Já os homens, até 83,5 anos.
Já na outra ponta do ranking, encontra-se Rondônia, com a menor esperança de viver dos idosos: até 81,2 anos.

Quanto à esperança de vida no nascimento, quem nasceu em 2019, tem a expectativa de viver até os 79,1 anos no Espírito Santo. É o segundo maior dado do País, que tem como média nacional 76,6.

No Brasil, de 2018 para 2019, houve aumento de três meses na expectativa de vida.

A maior expectativa de vida foi verificada em Santa Catarina (79,9 anos). A menor foi registrada no Maranhão (71,4 anos).

A expectativa de vida ao nascer das mulheres foi maior, de 80,1 anos, ante 73,1 anos dos homens.

Historicamente, segundo o IBGE, a diferença de expectativa de vida ao nascer entre mulheres e homens é explicada pela violência, já que eles têm mais chances de morrer de causas externas ou não naturais do que elas.

Em 2019, um homem de 20 anos tinha 4,6 vezes mais chance de não chegar aos 25 anos do que uma mulher da mesma faixa etária, segundo o IBGE.

“Este fenômeno pode ser explicado pela maior incidência dos óbitos por causas externas ou não naturais, que atingem com maior intensidade a população masculina”, observou o IBGE, por meio de nota.

Bons hábitos e acesso à saúde

O destaque do Espírito Santo quando o assunto é viver mais e melhor pode ser explicado pelos médicos por vários fatores, como a qualidade de vida, acesso a medicamentos e cuidados com a saúde.

Para o médico geriatra e coordenador do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas, Roni Chaim Mukamal, o indicador de expectativa de vida para quem chega aos 65 anos é importante, pois mostra que as pessoas no Estado estão chegando bem a essa idade para viver mais.

“O que explica isso não é um único fator, pois não há milagre para a longevidade. Um deles é uma característica de vida mais tranquila, apesar de o Estado estar na região Sudeste”.

Ele afirmou, ainda, que o capixaba, em geral, tem adquirido uma cultura de se cuidar.

“Um destaque é a alimentação, como referência em alimentos orgânicos, cultivados em cidades do interior. Ele tem acesso a uma alimentação local e mais saudável, comparado a outras capitais. As pessoas também têm se movimentado mais, se preocupado com exercícios”.

Outro fator observado pelo médico é o acesso à saúde, vacinação, acompanhamento e diagnóstico. “Apesar de necessitar de melhorias na saúde pública, no geral, se comparado a outras a capitais, como Rio de Janeiro, a população tem maior acesso à medicina”.

A presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia no Estado, Daniela Barbieri, ressaltou que, entre os fatores, contribuem para a longevidade após os 60 anos tanto fatores genéticos quanto os avanços tecnológicos na área da medicina.

“Isso indica que as pessoas estão cuidando mais da saúde de uma forma geral. Além disso, há maior resolutividade de doenças agudas e crônicas, como infarto e câncer”.

Especialista em Telemedicina, a professora de Saúde do Idoso da Santa Casa de Misericórdia de Vitória e Emescam, Alessandra Tieppo, enfatizou que envelhecimento é um processo fisiológico que depende da genética da pessoa, do ambiente em que ela vive a maior parte da vida e dos hábitos que adquire ao longo do tempo.

“Então, podemos supor que a população do Espírito Santo que chega aos 65 anos tenha, sim, vivido em um ambiente mais favorável e tenha desenvolvido hábitos mais saudáveis ao longo da vida”.

Prática de ciclismo e natação

Na busca por viver mais e melhor, a ciclista Vanda Pereira Moreira, de 67 anos, e o empresário Ernani Amaral Garcia, de 65, têm em comum a prática do ciclismo.

A ciclista Vanda Pereira Moreira, de 67 anos, e o empresário Ernani Amaral Garcia, de 65 (Foto: Kadidja Fernandes /AT)Segundo Vanda, a atividade só surgiu na vida dela aos 61 anos, quando ganhou uma bicicleta do marido. De lá para cá, não parou mais.

“Pelo menos três vezes por semana, procuro pedalar entre 40 e 50 quilômetros, em grupos. Já fui de Vila Velha, a Cabo Frio, no Rio de Janeiro pedalando”, contou.

Amigo de Vanda, Ernani tem mais de 40 anos de prática de esportes variados. Além do ciclismo, ele é maratonista e faz crossfit, standup e natação em mar aberto.

Entre os benefícios dos esportes, está a saúde em dia, segundo eles.


OPINIÕES


“O que explica a longevidade não é um único fator, pois não há milagre. É uma mistura de fatores de risco e de proteção”, Roni Mukamal, geriatra.

“Entre os fatores que têm feito as pessoas viverem mais estão os genéticos, além de avanços tecnológicos na área da medicina”, Daniela Barbieri, geriatra.

 (Foto: Jornal A Tribuna)

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