O Pix começou ontem a funcionar e foi alvo de queixas de usuários nas redes sociais. Apesar de ter sido lançado com o objetivo de efetuar transferências de forma instantânea, clientes de bancos e fintechs têm encontrado problemas ao realizar uma operação pelo novo sistema de pagamentos do Banco Central.
A espera para concluir uma transação chegou a oito horas. É o caso da auxiliar operacional Stefanie Santos, 24 anos. Ela transferiu por volta das 9h30 uma quantia da sua conta no Nubank para a conta do pai, na Caixa Econômica Federal, mas precisou esperar até as 17h, horário final similar ao de um TED.
“Pensei que o Pix seria ótimo por conta do imediatismo que tanto pregam, mas agora estou decepcionada. Era um valor que precisava ser repassado com urgência e só ganhamos dor de cabeça. Foi um alívio receber, mas agora não quero mais usar este modo não.”
Mateus de Souza Itacarambi, 19 anos, também teve dificuldades para receber o valor da primeira operação que fez pelo sistema. Ele tentou transferir o valor do auxílio emergencial, retido na sua conta do aplicativo do Caixa Tem, para uma conta do Mercado Pago.
A mensagem do aplicativo da Caixa dizia que houve um erro na operação e pedia para que fosse conferido o extrato, mas o saldo continuou vazio por quatro horas. Após o tempo de espera, o dinheiro retornou para a conta de origem. Mas a transferência, que era o principal, não foi efetuada:
“O ruim foi que o dinheiro não constava em nenhum dos aplicativos, se perdeu pelo caminho. Ficou por quatro horas assim, me senti roubado. Cadastrei a chave no mês passado e me sentia seguro com o sistema, mas aí aconteceu isso.”
Procurada, a Caixa informou que “no início da manhã (de ontem) houve uma intermitência pontual no serviço do Pix e que as operações impactadas serão automaticamente estornadas, sem prejuízo aos clientes”.
“O serviço foi normalizado ainda pela manhã e, até o início desta tarde (de ontem), já haviam sido cadastradas 170 mil novas chaves e realizadas mais de 200 mil operações”, conclui a nota.
O Nubank informou que, no primeiro momento da operação, algumas oscilações são esperadas à medida que o volume de transferências vai ganhando escala.
“A empresa ressalta que o Pix foi implementado em tempo recorde e que está trabalhando dia e noite com o Banco Central para resolver todos os eventuais casos em que o Pix não funcione adequadamente”, disse em nota.
Saque em lojas e operação programada são novidades
Com 71 milhões de chaves cadastradas em seu primeiro dia, o Pix trará entre as novidades para o futuro o saque em lojas e o pagamento programado, como é feito hoje nos bancos tradicionais.
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, participou do evento de lançamento do sistema. Em discurso, ele afirmou que o Pix trará mais eficiência e competição para o sistema financeiro.
“A inovação não para. O Pix não para aqui. A gente tem novas funcionalidades, a gente pode falar de cashback, de pagamentos programados, que virão pela frente.”
Ao falar em cashback, Campos Neto se referia ao saque no comércio, que deve estar disponível no ano que vem. Na modalidade, o consumidor chega ao caixa de um supermercado e diz que quer sacar R$ 100 com o Pix. O caixa escolhe a opção na maquininha do cartão, que exibe um QR Code.
O consumidor abre o aplicativo do celular e escaneia o código, fazendo o pagamento de R$ 100. Depois disso, o atendente entrega o dinheiro ao consumidor.
