Uma sensação de medo paralisante, acompanhada de tremores, taquicardia, suor, sensação de aperto no peito e choro. Foi depois de duas crises de pânico e ansiedade com esses sintomas que a universitária Miranda Perozini, de 20 anos, resolveu buscar ajuda no fim do ano passado.
Segundo Miranda, os sintomas começaram quando se viu sobrecarregada com a rotina entre estágio e faculdade.
“Eu sentia dores de cabeça, enxaqueca ou uma dor no braço e começava a ter pensamentos compulsivos de que eu iria morrer por causa daquilo. Achava que estava com um aneurisma e que não iria voltar para casa viva. A sensação era que eu ia morrer a qualquer momento. Sabia que tinha algo errado, só não entendia o que”.
Ela revelou que os pensamentos negativos e medo continuaram, até que realmente passou mal durante o horário de trabalho. “Tive uma crise, achando que ia morrer. Tremia, suava frio”.
De acordo com Miranda, a segunda crise foi na faculdade, com sensação de solidão extrema. “Paralisei, comecei a chorar e liguei para uma tia, que me buscou e ofereceu que iniciasse um tratamento”.
A universitária relatou que, desde então, faz terapia comportamental uma vez por semana e que considera a melhor decisão.
“Me vi à beira de um colapso e eu só tinha a opção de me abrir ao tratamento com o psicólogo. Tomei decisões de deixar o estágio na época e investir um tempo em mim. Durante a quarentena, tenho feito ioga online, voltei ao meu hábito de ler. Perdi 10 quilos que tinha ganhado devido a esse transtorno de ansiedade, que me levava a uma compulsão com a comida e bebida também”.
A universitária revelou que voltou a atuar na área, mas com uma rotina mais saudável. “Nada melhor do que conhecer a nós mesmos. A sensação de estar sozinho e sentir que tem alguma coisa errada, sentir essa dor, é péssimo, e quanto mais a gente deixa para depois, maior fica a inquietude, mais cresce a ansiedade”.
E completou: “A gente não acha cura de um dia para o outro, mas consegue viver a vida de um jeito mais leve. Meu conselho é realmente nos cercarmos de pessoas que cuidam de nós, e não termos medo de nos enxergarmos como alguém frágil, que precisa de cuidado”.
Pintura vira aliada

“Era uma sensação de aflição e pensamentos negativos. Logo busquei uma ajuda com psicólogo, o que fez muito bem para mim”.
Mas as mudanças na rotina com a pandemia fizeram com que o quadro voltasse.
“Eu estava fazendo faculdade em outro estado e tive de voltar para Vitória, com aulas online, isolamento. Vi que algo não estava bem e voltei ao acompanhamento”.
Já melhor, umas das formas que ela encontra para aliviar a rotina é a pintura.
