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Economia

Empregos em lojas atraem advogados e professores

Na maioria das lojas, a escolaridade exigida para trabalhar como vendedor é o ensino médio completo. Contudo, há candidatos graduados, como ...

Viviane da Mata: se a situação financeira for ruim, melhor agarrar a chance

Última atualização

Na maioria das lojas, a escolaridade exigida para trabalhar como vendedor é o ensino médio completo. Contudo, há candidatos graduados, como advogados, professores, administradores e até mesmo profissionais pós-graduados na disputa por essas vagas.

Devido aos efeitos da pandemia do novo coronavírus, muitas empresas fecharam as portas, e outras estão juntando áreas e enxugando o número de empregados, acirrando a concorrência por uma oportunidade entre os desempregados.

“Sobrou muita gente disponível no mercado e, muitas vezes, a necessidade faz o profissional buscar vagas aquém da sua qualificação”, destacou a psicóloga e diretora da Psico Store Martha Zouain.

A diretora-executiva da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), Lara Sathler, disse que nos últimos anos houve um “boom” de faculdades e graduados. Em paralelo à crise e agora, com a pandemia, isso se fortaleceu.

“Muitos graduados buscam algumas posições no mercado e não encontram”, afirmou Lara Sathler.

Viviane da Mata: se a situação financeira for ruim, melhor agarrar a chance (Foto: Divulgação)Ao se depararem com o desemprego, muitos brasileiros se fazem uma enxurrada de perguntas: “Espero uma oportunidade na minha área de formação? Agarro a primeira chance de emprego que aparecer? Busco novas experiências?”

A resposta depende de cada caso, de acordo com a consultora em Gestão de Pessoas e mestre em Psicologia Organizacional do Trabalho Viviane da Mata.

Ela explicou que um profissional que ama o que faz, ao se ver desempregado, deve avaliar se tem condições de esperar uma oportunidade mais aderente à sua formação. “Se tiver, é o mais indicado.”

Mas observou que, se a situação financeira for dramática, é melhor agarrar a oportunidade que surgir e buscar se restabelecer para alçar novos voos. “Já para aquele que não gostava do emprego que tinha, é inteligente tentar novas possibilidades”, diferenciou.

A advogada Luisa Pinho, 26, se formou há dois anos e sempre trabalhou na área, mas não se identificava. Após se ver disponível no mercado, ela que já gostava da área comercial, resolveu tentar.

“Me candidatei a uma vaga de vendedora, fiz a entrevista e fui chamada. É uma novidade, um ramo bem dinâmico. Descobri habilidades que não sabia que tinha e desenvolvi outras. Tive que acabar um pouco com a timidez”, confessou.

“É preciso estar aberto a novas possibilidades”

Leony Nobre, Analista de RH da Heach lembrou que  há áreas  técnicas, como na Engenharia, e empresas que dão treinamento de vendas para os contratados (Foto: Divulgação)

O mercado de trabalho é dinâmico. Estar aberto às novas possibilidades e ter capacidade de adaptação é essencial para conseguir não só se manter empregado, como ter sucesso na carreira, segundo especialistas.

A premissa vale para todos. Para quem gostava do que fazia e ficou desempregado, por que não avaliar se dá para encontrar alternativas dentro da área, para trabalhar por conta própria, por exemplo?
Já para quem não gostava do que fazia, por que não se dar novas oportunidades?

O consultor, mentor e especialista em Gestão de Pessoas e Negócios Sidcley Gabriel da Silva explicou que quando o mercado começa a se reaquecer, a primeira vaga que normalmente surge é para área comercial.

“Às vezes, a vaga de vendedor é uma porta de entrada para dentro de uma grande empresa. Apresentando um resultado diferenciado, esse profissional pode ser notado e conseguir uma vaga que gosta, dentro da sua área de formação”.

Ele explicou que, se nessa crise um profissional resolve atuar como vendedor de loja, ele deve ser o melhor vendedor dessa loja.

“Se você se colocar como alguém que está ali até conseguir outra coisa, não será notado. A possibilidade de crescer em outra oportunidade talvez não aconteça”.

Mas detalhou que o trabalho deve ser algo que o funcionário goste de fazer. “Quando o atendimento é bom, geralmente é porque o profissional gosta do que faz”.

Sidcley disse que culturalmente as famílias queriam que os filhos seguissem profissões tradicionais: médico, advogado ou engenheiro.

“Quando a pessoa não tinha muita opção, ia trabalhar com vendas como se fosse o que tivesse sobrado. Só que a área de vendas hoje é muito bem vista, porque é ela que coloca dinheiro para dentro das empresas”, diferenciou.

Leony Nobre, Analista de RH da Heach, lembrou que há as áreas de vendas técnicas. “Para profissionais de Engenharia, por exemplo, a demanda é tão grande que as empresas buscam engenheiros e dão o treinamento de vendas”.

Contudo, a diretora-executiva da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES) Lara Sathler lembrou que quem está em uma posição totalmente diferente do que gostaria de ocupar, o quanto antes deve buscar uma oportunidade relacionada com o próprio objetivo.

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