Internacionalmente conhecido por seus traços delicados, o artista urbano Liam Bononi, 27 anos, deixou Guarapari para espalhar sua arte pelo mundo. Os desenhos que antes se restringiam ao Brasil, agora também estão estampados em murais na Dinamarca, Suécia, Itália, Inglaterra e Noruega.
Liam revela que sua arte é uma forma de expressar o cotidiano e o processo de transformação interior de que as pessoas precisam.
Com seis países na conta, o objetivo do artista é seguir dando a volta ao mundo. “Sempre tive vontade de morar fora do Brasil. No ano passado, decidi seguir com minha família para a Itália, onde morei por sete meses. Participei de festivais em Milão e pintei murais em Turim. Hoje estou na Inglaterra, onde sigo estampando minha arte”.
“Quero viajar o mundo fazendo o meu trabalho. Fazer painéis cada vez maiores e trazer um pouco de reflexão para a galera que está no meio urbano”, relata.
Com 14 anos de carreira, Liam destaca que, desde 2010, vive exclusivamente da arte.
“Eu vivo de arte. Eu só faço isso. Aqui (na Europa), a galera consome um pouco mais de arte do que no Espírito Santo, por exemplo. Eu desenho em qualquer tipo de material, e a maioria do meu trabalho é feito para restaurantes, galerias, ruas, entre outros lugares”, disse.
Recentemente, Liam foi contratado por uma hamburgueria de Brescia, Itália, onde fez uma verdadeira obra de arte no muro do empreendimento.
“Me propuseram fazer algo sobre o tema. Então, desenvolvi o mural. Ficou bem legal. Eu me inspirei no rosto de uma amiga, a Wayla Colodetti, comendo o hambúrguer”, explica Liam.
Na Inglaterra, o artista decidiu fazer uma homenagem ao líder indígena Paulo Paulino Guajajara, que foi assassinado em novembro de 2019, em uma emboscada na terra indígena do Arariboia, no estado do Maranhão.
“Eu me inspiro, principalmente, no realismo, na transformação que a gente busca ter diante das situações. Gosto de rosto e busco expressar esse processo de transformação interna de que a gente precisa. Por isso, gosto de desenhar mãos, expressões, às vezes, agressivas, introspectivas, tristes ou de felicidade”, completa o artista.
Apesar de ter nascido em terras mineiras, durante uma viagem da mãe, Marina Bononi, a Uberlândia, Liam sempre morou em Guarapari e se considera capixaba.
Algumas obras do artista
Presente especial a piloto de Fórmula 1
Em um dos trabalhos desenvolvidos no Brasil, o artista urbano capixaba Liam Bononi, de 27 anos, foi convidado para expressar a sua arte no Mirante do Vale, o segundo prédio mais alto de São Paulo, com 170 metros de altura.
Na ocasião, em novembro de 2016, antes do GP do Brasil de Fórmula 1, Bononi e o casal de grafiteiros paulistas Los Kueios – que têm esse nome por pintarem coelhos nas ruas de São Paulo – desenharam o piloto inglês Lewis Hamilton no mural.
Além disso, deram de presente para o piloto uma tela com a imagem do ídolo brasileiro Ayrton Senna, tricampeão mundial de F-1 morto em acidente, em 1994.
Atual hexacampeão mundial de Fórmula 1, Hamilton é fã confesso de Senna e carrega sempre no braço direito uma pulseira especial nas cores do capacete imortalizado pelo brasileiro nas pistas.
O próprio piloto foi ver o painel de perto e ainda deixou sua marca na pintura, utilizando o spray emprestado pelos artistas.
Para Bononi, a experiência foi inesquecível. “O painel levou três dias para ficar pronto, com um trabalho de cerca de seis horas por dia”, relatou Liam.
“O desenho era especial porque o mural, de oito metros, era uma homenagem para o próprio Hamilton, onde pintamos o primeiro título dele, em 2008, em terras paulistas”, explicou.
A pintura traz ainda outros detalhes marcantes do piloto, que também é uma celebridade fora das pistas.
“Também desenhamos as tatuagens dele, como a cruz e o coração. Eu sabia que o Hamilton era fã do Ayrton Senna e, naquela oportunidade, nós o presenteamos com o quadro”, lembra Liam.







