O número menor de pessoas, barcos e navios no mar de Vitória, por conta da orientação de isolamento social devido ao novo coronavírus, deixa o ambiente mais silencioso. E é esse o cenário que as baleias-jubarte estão encontrando este ano no litoral capixaba, segundo especialista.
Coordenador do Projeto Baleia-Jubarte, o oceanógrafo Paulo Rodrigues diz que elas chegaram para a reprodução no início deste mês e ficam até o final de novembro. O esperado é que em torno de 20 mil baleias passem pelas águas capixabas nesse período.
Todo ano, baleias-jubarte viajam por cerca dois meses, da Antártida até o Brasil para se reproduzir. “Elas nascem na costa brasileira, principalmente no banco dos Abrolhos, entre o Espírito Santo e a Bahia, e nas plataformas continentais adjacentes”, explicou.
Além disso, ele diz que as baleias chegam ao Estado para o período reprodutivo. Tendo seus filhotes, elas cuidam deles até ficarem um pouco mais fortes.
“Eles têm seus primeiros cuidados e são amamentados por aqui, até estarem prontos para outras áreas de alimentação, onde buscam o seu principal alimento, o krill”, contou.
Krill é um grupo de crustáceos que ocorre em grandes densidades.
De acordo com Rodrigues, a estimativa é de que, diariamente, mais de uma tonelada é consumida por cada baleia.
O que se encontra, também, é uma competição reprodutiva que acontece nesta época do ano com as baleias. “Vários machões competem para acasalar com as fêmeas”, disse o especialista.
Rodrigues contou ainda que, na última semana, foi flagrado um dos momentos mais emocionante durante uma pesquisa.
“Flagramos o primeiro filhote da temporada em um momento emocionante: o colo, quando a baleia nascida é erguida pela mãe até a superfície para realizar as primeiras respirações e proteger o seu filhote”, salientou.
Há 32 anos os pesquisadores do projeto Baleia-Jubarte monitoram as baleias que vêm ao litoral para o período reprodutivo.
