A crise financeira arrastada pela pandemia de Covid-19 tem levado creches e instituições de ensino infantil registrarem até 50% de retirada de matrículas.
Presidente do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino no Espírito Santo (Sinepe-ES), Moacir Lellis, estima que a média está em torno de 40%, mas há relatos de retiradas mais substanciais.
É o caso apontado por Cristiano Villaschi Chibib, diretor-geral do colégio e da creche Pio XII, onde o índice de saída é de 50%. Nas turmas com criança de 4 meses a 2 anos e 11 meses, nem o valor fixo de desconto foi suficiente.
“O aproveitamento da creche no ensino remoto, em casa, é quase zero. A partir de 3 anos, tem aula online, mas ainda é incipente para manter o vínculo necessário. As consequências disso para as crianças são inestimáveis. Há um rompimento num processo de desenvolvimento que vai moldar o caráter e o comportamento”, lamenta.
Em pesquisa interna, Cristiano detectou que metade dos pais deseja a volta ainda este ano, enquanto a outra metade ainda está receosa. “Para aumentar a confiabilidade, vamos subsidiar testes sorológicos nos funcionários”, anunciou.
O presidente do Sinepe-ES estima que, para as turmas de pré-escola, a inadimplência esteja girando na faixa dos 30% a 40%. No Centro Educacional Sonho Meu, em Cariacica, essa taxa está em 20%.
“O problema maior está no berçário, que praticamente deixou de existir. A dúvida é: escolas que só atendem a esse público vão retornar?”, questiona Moacir Lellis.
REPROVAÇÃO
No caso dos alunos que só vão retornar às aulas presenciais em fevereiro de 2021 – por decisão dos pais –, a reprovação pode ser uma incógnita.
Lellis lembra que o Conselho Nacional de Educação recomenda evitar a reprovação de alunos neste ano. “Porém, nos casos de quem só retorna no ano que vem, cada aluno e cada escola fará uma avaliação particular para saber se será possível a progressão de ano”, disse, referindo-se à pré-escola.
Segundo ele, não há uma tendência se as escolas aprovarão ou reprovarão um aluno que só retorna ao ano letivo ano que vem.
No caso dos alunos que retornam assim que o governo estadual liberar, as avaliações seguem normalmente, com a recomendação – mas não ordem – de não reprovação.
Filho só volta a estudar em 2021

“Ele volta a estudar em fevereiro do ano que vem. Como faz aniversário dia 28 de março, ainda entra para o 1º ano”, conta, lançando mão do raciocínio de que crianças que completam 6 anos até o dia 31 de março devem ser matriculadas no ensino fundamental I.