Autoridades de uma cidade da região chinesa da Mongólia Interior emitiram um alerta neste domingo (5), um dia depois que um hospital relatou um caso de suspeita de peste bubônica. O comitê de saúde de Bayan Nur emitiu o alerta de terceiro nível, em um sistema de quatro níveis.
Oito meses depois de registrar quatro casos, a Mongólia teme um surto com a confirmação, pelo Centro Nacional de Controle Zoonótico, de que 650 pessoas tiveram contato direto ou secundário com duas pessoas que testaram positivo para a Yersinia pestis, bactéria causadora da enfermidade.

Há pelo menos 5 mil anos, a Y.pestis circula no mundo. Em 2011, testes genéticos realizados em vítimas da “peste negra”, como ficou conhecida, que devastou a Europa em meados do século 14, identificaram a bactéria como causadora da epidemia medieval.
Nos desertos e estepes asiáticos, segundo artigo científico publicado na revista Biossegurança, o primeiro registro da enfermidade data do ano de 1644. Entre 1901 e 1949, houve 41 surtos, com 80 mil mortes. A região estava livre da peste desde 2004, mas, em novembro, houve quatro infectadas.
MORTES NO SÉCULO XIV
- Em meados do século 14, calcula-se que de 30% a 50% da população europeia tenha sido eliminada pela epidemia Y. pestis
- O que é: a bactéria causadora do tipo de peste mais comum globalmente. É transmitida pela mordida de uma pulga infectada, geralmente hospedada em roedores. O bacilo entra no organismo e viaja pelo sistema linfático, reproduzindo-se no linfonodo mais próximo. Transmissão entre humanos ocorre na forma mais grave, em paciente com pneumonia
- Sintomas: febre súbita, tremores, dores corporais, fraqueza, vômitos. Linfonodos inflamados (os “bulbos”) podem aparecer. O tratamento é com antibióticos e, se iniciado cedo, a chance de cura é alta. Mas, se não tratada, a peste mata de 30% a 100% dos pacientes
- Onde ocorre: é encontrada em todos os continentes, mas Madagascar, Peru e República Democrática do Congo são os principais países endêmicos.