O Pix, plataforma digital criada pelo Banco Central (BC) para transações financeiras instantâneas, tem atraído mais pessoas físicas do que empresas.
De acordo com o BC, 84% das transferências foram de pessoa física para pessoa física nesse primeiro mês de uso. Os pagamentos de pessoas físicas para empresas representaram 6% das transações.
Os comerciantes ainda hesitam antes de aderir à modalidade. Uma pesquisa realizada por uma empresa digital de pagamentos apurou que 36,8% dos lojistas se sentem inseguros em utilizar o Pix.
As principais dúvidas, segundo o levantamento, envolvem questões como os custos, a segurança do sistema e a funcionalidade.
Para Samuel Vale, diretor das Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDL) de Cariacica e da Serra, a realidade do Estado não é exatamente de insegurança. “Muitos comerciantes, desde que o Pix foi lançado, ainda não conseguiram parar para fazer o cadastro. Outros preferem consultar contadores antes desse tipo de decisão”, lembrou o diretor.
E complementou: “Mas com a correria das vendas de fim de ano tem sido difícil avaliar algo novo. Nos próximos meses essa situação deve mudar. A plataforma é vantajosa, e a CDL pretende orientar e incentivar o uso”.
Já o presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-ES), José Lino Sepulcri, acredita que o consumidor ainda desconfia da segurança do sistema, e, por falta de demanda, o comércio ainda não utiliza o Pix como poderia.
“Criou-se uma cultura de que essa plataforma é muito fácil, e que, portanto, só pode ser fraudulenta. Mas o Pix, com sua praticidade e rapidez, veio para ficar. As pessoas vão se dar conta disso. Acredito que, nos próximos 30 ou 60 dias, a maioria dos consumidores e estabelecimentos vai usar essa forma de pagamento”.
Em relação a possíveis fraudes, o especialista em segurança digital Eduardo Pinheiro esclarece: a possibilidade de golpes no Pix é a mesma que no internet banking de instituições financeiras.
“Só cadastre chaves no aplicativo ou site oficial do banco. Não acesse links que chegarem no e-mail ou SMS – eles levam a formulários falsos feitos por criminosos. Outra dica é manter o sistema operacional do celular e o antivírus atualizados, e criar senhas no dispositivo”, concluiu.
Dificuldade de identificar quem fez o pagamento

“Para quem tem um pequeno número de transações por dia, fica fácil identificar a quem pertence cada pagamento. Para lojas maiores, com centenas de vendas por dia, não dá para ver de quem foi cada pagamento antes de entregar o produto para o cliente”, afirmou Ventorim.
O gerente Alexsandro Lima, que trabalha com uma rede de lojas de tinta, explicou que o Pix não opera pelo Sitef (Sistema Transferência Eletrônica de Fundos) como as bandeiras tradicionais de débito ou crédito.
Pagando pela maquininha de cartão, as empresas conseguem confirmar automaticamente o pagamento no ato da compra. Para conseguir usar o Pix sem gerar grandes filas em sua loja, ele preparou algumas mudanças:
“Nossos clientes poderão pagar com o Pix através de QR Code criptografado de forma segura e sem enfrentar fila no caixa. Fizemos parcerias com empresas para disponibilizar a opção já em janeiro de 2021”.
Evite fraudes – Cadastro só em canais oficiais
O Pix
- Desenvolvido pelo Banco Central (BC), o Pix é um serviço de pagamentos instantâneos que permite a realização de transações financeiras em poucos segundos, 24 horas por dia e sete dias por semana, inclusive em feriados. Podem ser feitos pagamentos de compras e transferências de dinheiro.
- Para utilizar, é necessário cadastrar uma chave. Podem ser usados como chave o CPF ou CNPJ, email ou número de celular.
Cuidado com golpes
- Só cadastre chaves Pix no aplicativo do banco ou site oficial.
- Atente-se à instalação de novos aplicativos nos smartphones onde há serviços de bancos instalados. Só instale de fontes seguras.
- Fortaleça a segurança do celular, adicionando fatores de autenticação biométricos e que exigem uma resposta de mensagem de texto, áudio ou email.
- Ao receber links de acesso pelos Mensageiros Instantâneos (Whatsapp e similares) ou SMS, não abra, pode ser um golpe.
- Fique atento e dispense as chamadas telefônicas se identificando como agentes de instituições e empresas, solicitando informações pessoais e oferecendo facilidades.
- Em alguns casos, os criminosos por trás das chamadas já possuem seus dados e pedem confirmação para então solicitar outra ação.
- Os celulares se tornaram chaves de bancos. Em qualquer lugar, em qualquer momento, você pode fazer transações financeiras, então fique atento aos locais de risco.
- Se você utiliza aplicativos de bancos em mais de um celular, mantenha um mesmo padrão de segurança para todos.
- Mantenha o sistema operacional do smartphone atualizado, bem como um sistema antivírus.
