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Economia

Especialistas orientam como negociar para não pagar mais pelo aluguel

A possibilidade de ter de pagar mais caro no aluguel é uma realidade para inquilinos residenciais. Mas é possível negociar com o locador o valor a ...

Rosetti recomenda que inquilino pesquise e compare o reajuste proposto e o valor que vizinhos pagam de aluguel

Última atualização

A possibilidade de ter de pagar mais caro no aluguel é uma realidade para inquilinos residenciais. Mas é possível negociar com o locador o valor a ser reajustado e especialistas dão dicas de como dialogar para evitar o aumento no momento de crise.

O corretor Marcos Cade destaca que o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) teve alta acumulada nos últimos 12 meses de 24%, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas. O índice é usado para reajustar contratos de aluguel no Brasil, o que pode ser uma preocupação para os inquilinos.

Para evitar o aumento, Cade recomenda desenvolver uma relação de confiança com o locador.

“Se o locador confia no inquilino, a tendência é de que ele aceite um diálogo sobre o preço”.

O presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado (Sindimóveis-ES), Ary Barbosa Bastos, explica que é essencial o inquilino que tem histórico de bom pagador mostrar isso ao locador, que pode pensar duas vezes antes de despejá-lo.

“Quem paga em dia e não causa problemas ao locador ganha pontos positivos. É preciso fazer com que o locador pense se vale a pena trocar um bom pagador por um imóvel vazio e com a despesa do condomínio”, afirmou.

Rosetti recomenda que inquilino pesquise e compare o reajuste proposto e o valor que vizinhos pagam de aluguel (Foto: Leone Iglesias/AT)

O advogado imobiliário Diovano Rossetti recomenda também que o inquilino faça uma pesquisa de mercado, para poder fazer uma comparação entre o reajuste proposto pelo locador e o valor que vizinhos pagam de aluguel.

“É uma forma até de se prevenir de ser surpreendido, porque permite que o inquilino desenvolva uma contraproposta mais adequada, por exemplo. Pode não evitar o aumento, mas pode reduzi-lo consideravelmente”.

O diretor comercial da Betha Espaço Imóveis, Charles Bitencourt, sugere observar se, anteriormente, houve algum reajuste no IPG-M para baixo que foi ignorado.

“Pode ser que algum reajuste que diminuiria o aluguel tenha passado batido, e o imóvel já estar com o valor de aluguel dentro do mercado. Isso pesaria contra um reajuste para aumentar o valor”, explicou.

O presidente do Sindimóveis-ES, Ary Barbosa Bastos, alerta que ingressar com ação na Justiça é uma prática a ser evitada, por se tratar de uma situação que demora a ser resolvida nos tribunais.

Saiba mais

Aumento de acordo com a inflação

  • O valor dos aluguéis poderá ter um aumento com base no Índice Geral de Preços do Mercado (IPG-M), índice utilizado para atualizar valores anuais dos aluguéis residenciais.
  • O IPG-M, apresentou, nos últimos 12 meses, um acumulado de 24%, conforme a Fundação Getulio Vargas.
  • Esse índice é quase seis vezes maior que a inflação oficial atual, que nos últimos 12 meses foi de 4,31%.

Negociação é essencial

  • Especialistas lembram que é possível ficar livre do reajuste ou ter um aumento mais brando, já que é possível buscar negociação com o proprietário para evitar ou ao menos diminuir o aumento do aluguel.
  • Para os proprietários não é vantajoso ficar com o imóvel vazio, tendo que arcar com as despesas da unidade.
  • O motivo é que, enquanto o inquilino está no imóvel, é responsável por pagar as taxas de condomínio e o IPTU. Ao sair, a obrigação passa para o proprietário da residência.
  • Levar a situação às vias judiciais não é recomendada, porque a situação pode ser alongar demais e ser onerosa para ambas as partes.

Deixar o imóvel pode não ser vantajoso

  • Ao mesmo tempo, pode não ser vantajoso para o inquilino deixar o imóvel, porque os gastos com a mudança e pintura do imóvel acabam sendo maiores que o reajuste.
  • Além disso, a busca por outro imóvel na mesma faixa de preço é incerta e pode ser demorada.

Pesquisa

  • Para convencer o locador a manter o preço ou fazer um aumento menor do que o proposto, o inquilino pode pesquisar valores praticados no mercado, como nos imóveis vizinhos, e mostrar que o aumento é exagerado.

Atenção para o tom e o canal da comunicação

  • É preciso tomar cuidado com a forma como se vai conversar a respeito do tema.
  • A comunicação deve ser séria, porém não feita de forma agressiva. Desta forma, o inquilino estará mostrando ao locador que está disposto a dialogar sem causar atritos.
  • Tão importante quanto o tom da mensagem, é entender qual o canal mais eficaz para a comunicação, uma vez que os encontros presenciais estão dificultados com pandemia.
  • Enquanto um e-mail ou mensagem de texto só tem a comunicação verbal, uma ligação indica o tom de voz, e uma videochamada permite visualizar a linguagem corporal dos interlocutores. Desta forma, o locador poderá ver e sentir a maneira como a situação afeta o inquilino.
Fonte: Diovano Rossetti, Ary Barbosa Bastos e Charles Bitencourt e pesquisa AT.

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