A forma como o organismo vai reagir ao ser infectado pelo novo coronavírus é uma variável entre cada paciente. Enquanto que alguns não apresentam sintomas, outras desenvolvem sintomas leves. Já há casos em que a pessoa tem fortes complicações que provocam até a morte.
Estudos pelo mundo mostram que esse terceiro cenário é mais comum em um conjunto de pacientes e, por isso, essas pessoas são consideradas como grupo de risco para desenvolver complicações devido a Covid-19.
Segundo o Ministério da Saúde (MS), nesse grupo estão pessoas idosas e aquelas que apresentam comorbidades – diabetes mellitus, hipertensão, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) – por exemplo, enfisema pulmonar – , doença renal, cardiovasculares e cerebrovasculares; indivíduos transplantados de órgão sólido, anemia falciforme, câncer, obesidade grave (IMC>/40).
O médico infectologista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Crispim Cerutti Junior, explica que essas pessoas são mais vulneráveis porque essas doenças afetam o lado mecânico e imunológico do organismo, o que dificulta a produção defesas contra o vírus.
“Em uma pessoa com doença cardiovascular, por exemplo, como o processo circulatório dela já está comprometido a mecânica da troca de oxigênio pulmonar fica prejudicada e, se tiver uma inflamação nos pulmões será ainda mais desfavorável”, disse.
Diante desse potencial de desenvolver a forma mais grave da doença, o Plano Nacional de Imunizações (PNI), do governo federal, prevê a priorização desses pacientes em três das quarto etapas da vacinação contra a Covid-19.
O primeiro grupo a ser vacinado será de idosos a partir de 75 anos ou maiores de 60 – mas que vivam em asilos ou instituições psiquiátricas- além dos profissionais de saúde e da população indígena.
A segunda fase da vacinação será destinada às pessoas que tenham entre 60 e 74 anos. A etapa seguinte prevê a imunização de pessoas com comorbidades.
No início da pandemia, pacientes com asma também chegaram a ser considerados como grupo de risco, mas essa doença foi retirada da classificação, conforme o Crispim. “Os estudos não mostraram a asma como fator complicador para a Covid-19 em comparação com os outros pacientes”, explica.
Segundo ele, o mesmo aconteceu com pessoas HIV positivas e aquelas diagnosticadas com Aids, após estudos pelo mundo.
Dados
Até a noite desta terça-feira (8), o Espírito Santo confirmou a morte de 4.455 pessoas por complicações causadas pela Covid-19. Deste total, 2.569 apresentavam problemas cardíacos. Já outras 1.426 tinham diabetes.
Os dados do Painel Covid-19, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), ainda mostram que 411 tinham problemas pulmonares, enquanto que 404 eram obesas e 289 apresentavam problemas renais – na ferramenta, um mesmo paciente pode ter mais de uma comorbidade.
Comorbidades no grupo de risco da Covid-19
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Diabetes mellitus
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Hipertensão
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Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) – uma fibrose pulmonar por conta do contato com substâncias, como cigarro. A enfisema pulmonar é um exemplo.
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Doença renal
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Doenças cardiovasculares e cerebrovasculares
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Indivíduos transplantados de órgão sólido
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Anemia falciforme
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Câncer
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Obesidade grave (IMC>/40)
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Pessoas idosas também estão no grupo de risco
Fontes: Ministério da Saúde e infectologista Rúbia Miossi
