Após ter estado acima dos R$ 5,80 durante o ano, o dólar fechou o dia em R$ 5,12 e especialistas já preveem que a moeda norte-americana chegue a R$ 4,25 no ano que vem, ao mesmo tempo que a Bolsa de Valores Brasileira superou a marca dos 114 mil pontos pela primeira vez desde fevereiro.
Desde o início de novembro, o dólar acumula queda de 10,8% contra o Real, que perdeu o posto de moeda mais depreciada do mundo entre os principais países emergentes para a lira turca.
“O real ainda tem muito espaço para se apreciar e estamos muito otimistas para o cenário no ano que vem, quando esperamos que moeda chegue a 4,25 reais”, afirmou o especialista Samuel Castro, estrategista de câmbio e juros para a América Latina do banco francês BNP Paribas, em entrevista à Exame Invest.
O economista Eduardo Araújo concorda com a previsão e explica que o dólar tende a terminar o ano na faixa dos R$ 5, e um bom desempenho na retomada da economia brasileira pode ser determinante para que essa previsão se torne realidade.
“O dólar tende a cair e essa perspectiva dos R$ 4,25 em 2021 é possível. Há uma previsão de que o País tenha uma taxa de crescimento de cerca de 3%, e se isso se concretizar, a tendência é o dólar se desvalorizar em relação ao Real”.
O economista José Marcio de Barros é mais cauteloso, mas confirma a tendência de desvalorização do dólar em 2021.
“É uma previsão difícil de ser dada, apesar do BNP Paribas ter análises conceituadas. Mas realmente, a expectativa é de que haja um fluxo de dólar para o País e, dependendo de como o governo gerenciar a situação, a queda no dólar pode ser contínua”.
Já com relação a Bolsa de Valores, os economistas estimam que ela deva continuar operando em alta no ano que vem.
“O maior risco, na minha visão, é novo governo americano criar alguma política em resposta ao Brasil, em relação ao meio ambiente. Mas, fora isso, a tendência é que a Bolsa opere em alta”, afirmou Eduardo Araújo.
Já José Márcio de Barros ressaltou que, apesar de alta ser provável, oscilações são comuns. Ele alertou ainda que interessados em investir devem ter cautela.
“Quando a bolsa sobe assim, é natural que haja a realização de lucro, ou seja, a venda de papéis. É algo comum de acontecer, o que cria uma oscilação na bolsa. Quem quer investir deve ter cautela e buscar um especialista na área, porque fazer investimentos em ações sem qualquer conhecimento ou suporte qualificado e certificado só trará prejuízo.”
Pães, leite e eletrônicos devem ficar mais baratos
A queda do dólar terá impactos positivos para o consumidor. Isso porque alimentos como o pão francês, o vinho e o leite, bem como eletrônicos, devem ficar mais baratos.
O economista José Márcio de Barros explica que esses produtos são importados e seu preço acaba sendo afetado, conforme a variação do dólar.
“Dólar em queda é ótimo para quem importa ou consome produtos importados. Quanto mais baixo ele estiver, melhor para a população comprar celulares, televisões e alimentos como o pão francês, que é derivado do trigo, que costuma vir da Argentina”.
Já o economista Eduardo Araújo cita o leite como um dos alimentos mais afetados.

Araújo cita ainda que quem quiser viajar após a pandemia deve torcer por um dólar baixo.
“Porque as viagens internacionais ficam mais baratas, conforme o dólar se desvaloriza em relação ao Real. Quem também deve olhar positivamente para essa situação são as empresas que têm dívidas em moeda estrangeira, já que a dívida diminuirá em real”.
Por outro lado, o dólar alto pode ser prejudicial para exportadores. José Márcio de Barros explica que o lucro com a exportação será afetado neste caso.
“Quando o dólar está mais alto, é mais interessante exportar. Produtos como o mamão, por exemplo, acabam dando mais lucro neste cenário. Com isso, a tendência é de um abastecimento maior para o mercado nacional, porque o produtor não verá mais tanta vantagem em exportar o produto”.
Saiba mais
Bolsa em alta, dólar em queda
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A Ibovespa superou a marca dos 114.000 pontos pela primeira vez desde fevereiro, dando continuidade à sequência de altas recente, encerrando a sessão de negócios em queda de 0,14%, em 113.589 pontos.
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Já o dólar, que chegou a estar cotado acima dos R$ 5,80, operou ontem em queda e chegou a R$ 5,05, fechando o dia em R$ 5.12.
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A alta da bolsa e a queda do dólar indicam um cenário positivo para investimentos e entrada de capital no País, em meio a retomada da economia e perspectiva de vacina contra a Covid-19.
Leite mais barato
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Com retomada da economia nacional, há a queda do dólar, que afeta positivamente o bolso dos consumidores. Isso porque produtos, como o trigo, são importados, o que encarece o preço do produto.
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Já o leite também fica mais barato com o dólar em baixa, porque seu preço acaba sendo influenciado pelo preço de remédios para o gado, que também são importados.
Cuidado ao investir na Bolsa
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A taxa de juros brasileira está em uma mínima histórica, o que acaba influenciando na alta da bolsa, tendo em vista que investir na bolsa se torna uma opção mais interessante.
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Entretanto, especialistas alertam que o investimento na Bolsa de Valores deve ser feito com cautela. É preciso traçar seu estilo de investidor, ver suas condições financeiras e, principalmente, buscar um especialista certificado que sirva como guia.
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A dica é não investir todo o seu dinheiro, e colocar a maior parte do valor em investimentos conservadores, deixando uma pequena quantia para investimentos diversificados.
Fonte: Eduardo Araújo e José Márcio de Barros.
Análise – Ricardo Paixão, economista

Do mesmo modo o dólar, que subiu muito por conta da incerteza que vivíamos, abaixou, porque com essa movimentação, a demanda por dólar se reduziu, já que mais investidores procuraram o Brasil.
O ponto central são as expectativas positivas. Mas isso é muito volátil. Se amanhã a vacina, por exemplo, não for tão eficaz, precisar de uma logística muito grande, a situação se reverte.
Vejo que a tendência do dólar é que ele caia mesmo e deve ficar em R$ 4 e alguns centavos, isso num cenário otimista onde a gente consiga equacionar a situação delicada principalmente com relação à pandemia, com um cenário melhor para a retomada econômica.”

Com retomada da economia nacional, há a queda do dólar, que afeta positivamente o bolso dos consumidores. Isso porque produtos, como o trigo, são importados, o que encarece o preço do produto.