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1.500 devedores se dão mal por ostentação nas redes sociais

Viagens em cenários paradisíacos ao redor do mundo, ostentação com carros de luxo, jatinhos, iates, roupas de grife, festas badaladas, camorotes vips ...

Bruno contou história de empresária que não tinha nada em seu nome, embora dirigisse carro de R$ 200 mil

Última atualização

Bruno contou história de empresária que não tinha nada em seu nome, embora dirigisse carro de R$ 200 mil (Foto: Leone Iglesias/AT)

Viagens em cenários paradisíacos ao redor do mundo, ostentação com carros de luxo, jatinhos, iates, roupas de grife, festas badaladas, camorotes vips para curtir de perto os shows de cantores famosos. Na era virtual, situações como essas chamam a atenção nas redes sociais e ganham vários likes (curtidas).

Só que por trás do que parece ser algo encantador há também provas robustas para desmascarar devedores. Pelo menos, 1.500 se deram mal com essas postagens. A estimativa é do advogado do ramo imobiliário Diovano Rosetti, que ressalta que os casos têm sido recorrentes.

“Entre os tipos de devedores há aquele contumaz, ou seja, que faz aquisições, como carros e imóveis para aparentar um padrão de vida que ele não tem como manter. Depois encontra subterfúgio para não pagar, brigando em juízo, protelando o pagamento.”

Ele contou que muitos devedores recorrem à assistência judiciária gratuita, alegando não ter como pagar advogado. Se perde, não precisa pagar custas do processo e honorários da defesa da outra parte.

“E é nessa hora que muitos são desmascarados, pois alegam que não têm dinheiro, mas estão nas redes sociais postando almoço nos melhores restaurantes e viagens.”

Situações como essas são muito comuns, como observa o advogado Bruno da Luz. Um dos casos que ele atuou envolvia uma empresária que devia R$ 100 mil a seu cliente, mas viajava para Europa, especialmente Itália, e Estados Unidos, além de dirigir carro importado de R$ 200 mil. Essa dívida era proveniente de um empréstimo e compra de mercadorias.

O cliente ganhou a ação, mas uma varredura na vida da empresária revelou que ela não tinha nada em seu nome. “O carro, Land Rover, estava no nome do cunhado, mas ela só andava no veículo e postava nas redes sociais. Foi essa ferramenta juntamente com as demais postagens de viagens e gastos extravagantes que convenceu o juiz a dar a decisão”, relatou.

Com as provas, a defesa pediu bloqueio de todos os cartões de crédito dela, do passaporte e da carteira de habilitação, e o juiz deferiu.

Sem ter como viajar, dirigir e usar o cartão de crédito, a empresária, representada por seu advogado, sugeriu um acordo para o pagamento das dívidas. “Ela pagou as dívidas, parceladas em 10 vezes”, contou Bruno da Luz.

Vídeo com “bolo” de dinheiro

Sem receber a pensão destinada ao filho de 3 anos por seis meses, uma fisioterapeuta recorreu à Justiça. “O pai da criança, um empresário, dizia que tinha falido, mas não deixou de ostentar nas redes sociais. Gastava até R$ 4 mil em camarotes”, contou o advogado Bruno da Luz.

Só que o empresário não esperava que um amigo iria postar um vídeo em que ele aparece bebendo com outras pessoas, que diziam que a bebida estava cara.

“Ele tirou um bolo de R$ 100, deveria dar R$ 4 mil e deu um tapa na cara do amigo, dizendo: ‘Você está precisando de dinheiro, eu te dou’”.

O juiz determinou o pagamento sob pena de prisão e o empresário pagou o que devia: R$ 12 mil.


Saiba mais


Algumas dívidas cobradas na Justiça

1 Débitos com pensão

  • Muitos pais, ao discutir valores de pensão ou ao deixar de pagar os valores devidos, alegam não ter como arcar com o compromisso.
  • Alguns chegam a comprovar rendimentos inferiores, mas nas redes sociais são desmascarados por publicarem um padrão de vida muito diferente.

2 Compras diversas

  • Há diversos casos de dívidas, como de imóveis, carros, lanchas e até compras menores, que vão parar na Justiça após o comprador deixar de pagar os valores.
  • Nesses casos, eles encontram formas de recorrer e protelar os pagamentos.

3 Aluguéis

  • Outras dívidas comuns que chegam até o judiciário são as referentes a aluguéis de imóveis. Mesmo sem pagar os valores, muitos continuam levando uma vida luxuosa.

4 Honorários

  • Alguns devedores afirmam não ter condições financeiras para arcar com um advogado, por isso recorrem à assistência judiciária gratuita.
  • No entanto, têm condições financeiras e usam o benefício para, caso percam, não terem de pagar honorários da defesa da parte contrária e/ou custas do processo.
     

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