Os planos de passar a noite de Natal com a família foram interrompidos para cinco passageiros, com o cancelamento do voo AD5103, de Guarapari para Belo Horizonte (MG).
Reclamando do que consideraram descaso da empresa aérea, a Azul, e da infraestrutura do aeroporto, onde, segundo eles, não há como comprar água ou comida, o grupo acionou a polícia na noite de quinta. A Polícia Civil foi ao aeroporto registrar a ocorrência.
“Minha ceia de Natal foi um pacote de batatas chips, uma caixinha de suco, balas e chocolate oferecidos pela Azul”, relatou o empresário Rodrigo Giovanni de Almeida Domingos Jorge, um dos passageiros. Ele reclamou da falta de diálogo da empresa e da demora por um posicionamento.
O voo estava previsto para sair do Espírito Santo às 16h35 da quinta-feira. Porém, por causa do mau tempo em Guarapari, o avião, que estava vindo de Minas Gerais, teve de pousar em Vitória.
Com o transtorno, os cinco passageiros — três adultos e duas crianças — ficaram até cerca de 21 horas no aeroporto da Cidade Saúde, sem comer ou beber água, já que não há lanchonete no local.
“Fomos informados de que o avião iria para Guarapari no mesmo dia, e por isso aguardamos todo esse tempo. Por volta das 20 horas, procuramos a polícia e abrimos uma ocorrência para nos resguardar diante desse transtorno. A Azul acabou oferecendo o reembolso da passagem, ou nos realocar em outro voo”, explicou.
Rodrigo escolheu pegar outro voo, e foi levado ao aeroporto de Vitória por um motorista particular pago pela empresa. “No aeroporto, um funcionário disse que eu iria para um hotel e que o voo seria no dia seguinte”, disse Rodrigo.
Para não perder o almoço de Natal com sua mulher e o filho de 3 anos, com quem tirou foto ao reencontrá-los, Rodrigo pediu para ser realocado em um voo de outra empresa, que sairia de madrugada e chegaria a Minas pela manhã:
“Como não teria empregado da Azul para fazer o contato com a outra empresa nesse horário, não foi possível”, lamentou o empresário: “Tive de pagar um táxi para o hotel, onde cheguei por volta das 23 horas. Como o restaurante já estava fechado, tinha só a batata e o suco que a empresa forneceu.”
Rodrigo só foi embarcar às 15 horas de ontem, chegando às 16h30 na capital mineira.
Empresa aérea diz ter dado assistência
Sobre as reclamações relativas à estrutura do Aeroporto de Guarapari, a prefeitura informou que já está realizando os procedimentos para a concessão do uso e exploração do espaço comercial destinado a uma lanchonete.
Em relação ao transtorno vivido pelos passageiros, a Azul disse que lamenta eventuais aborrecimentos ocorridos. “Clientes impactados seguiram por via terrestre até o aeroporto da capital capixaba”, informou por nota.
“No entanto, a aeronave que iria operar o voo da volta a partir de Vitória foi submetida a uma manutenção não-programada. A Azul ressalta que os clientes receberam toda a assistência necessária, conforme prevê a resolução 400 da Anac, e foram reacomodados em voos da própria companhia programados para hoje (25/12).”
Entenda
Direitos do passageiro
- A assistência material deve ser oferecida pela empresa aérea, de acordo com o tempo de espera, contado a partir do momento em que houve o atraso ou cancelamento
- A partir de uma hora, a empresa deve assistir o passageiro com comunicação (internet, telefone)
- A partir de duas horas, deve oferecer alimentação (voucher, refeição, lanche)
- A partir de quatro horas, deve oferecer hospedagem (em caso de pernoite no aeroporto) e transporte.
- Se você estiver na sua cidade, a empresa pode oferecer apenas o transporte para sua residência e desta para o aeroporto.
- A empresa deve oferecer três opções ao passageiro: reembolso da passagem, realocação em voo próprio ou realocação em voo de outra empresa.
Fonte: Resolução nº 400/2016 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
