Com a proximidade do Natal e do Réveillon, em um ano que ainda requer cuidados e distanciamento, muitas famílias têm buscado exames para detectar o novo coronavírus antes dos encontros familiares.
Em laboratórios, o aumento da procura nos últimos dias já foi percebido. O sócio do Teste Covid Capixaba, Edson Mezadri Vieira, afirmou que o crescimento chega a 60%, e a expectativa é de que chegue a 80% até o Natal.
Além de famílias que planejam encontro de Natal, ele contou que a procura também está sendo grande por parte de quem está com viagens marcadas.
Segundo Mezadri, que é responsável por um drive-thru em parceria com o laboratório Marcos Daniel, há tanto a procura por testes que constata anticorpos (IgG ou IgM), como pelos que detectam a doença ativa (RT-PCR). “Dependendo de cada caso, se já teve sintomas ou se está com algum sintoma, a gente indica o melhor teste”.
Ele revelou que já teve procura até por parte de empresa que pretende aplicar os testes em funcionários antes de uma confraternização de fim de ano.
No Laboratório Labortel, a procura aumentou entre 20% e 30% por parte de pessoas que querem fazer exames antes de visitar familiares ou viajar. Há opções de exames que ficam prontos no mesmo dia ou em até uma hora.

Ela vai viajar no próximo dia 28 para passar a virada de ano com a filha, Luna Hardman, 14, em Fernando de Noronha, Pernambuco.
“É uma viagem para comemorar os 15 anos dela. Como não estamos podendo fazer festas, ela escolheu a viagem, que é quase uma pré-temporada, já que Luna é bicampeã brasileira amadora. Fizemos o teste rápido, que detecta o IgG, e deu negativo”.
No dia anterior à viagem, elas farão também o PCR (exame de material da garganta e do nariz). “Fazer o teste um dia antes é uma exigência para entrar na ilha, para saber se não estamos com Covid. Até lá, temos de nos cuidar para garantir uma viagem segura”.
Exame confirma anticorpos contra covid
Com viagem marcada para ainda esta semana para passar o Natal no Rio de Janeiro, a corretora de imóveis Gabriela Alcure, de 34 anos, fez ontem um teste para detectar a presença de anticorpos (IgG) contra a Covid-19.
“Já tive a doença há cerca de dois meses, mas não tinha feito ainda o exame para saber se o meu IgG estava positivo. Queria ter a certeza, pois vou encontrar alguns familiares no Rio de Janeiro”, contou.
Ela fez o exame ontem e o resultado saiu à noite, confirmando a presença de anticorpos.
“Mesmo assim, desde que tive a Covid, tenho mantido os cuidados para proteger a mim mesma e a minha família, o que é o mais importante neste momento”, ressaltou.
Médicos alertam que não há garantia de segurança
Mesmo com muitas pessoas optando por fazer testes antes de encontros, especialistas ressaltam que o ideal é que os festejos nesse fim de ano sejam restritos entre quem reside na mesma casa. Eles ressaltam que não é possível ter garantia de segurança com testes.
Professora da Universidade Federal do Espírito Santo e epidemiologista, Ethel Maciel explicou que a questão dos testes é complexa para eles serem usados como “passaportes” de festas de fim de ano.
“Em um teste RT-PCR positivo, a pessoa precisa se isolar, mas o teste negativo não necessariamente significa que a pessoa não tem a doença. Ela pode estar em uma ‘janela’ em que o teste pode dar falso negativo. Outra possibilidade é a pessoa se contaminar depois que coletou o exame”.
Por isso a epidemiologista relatou que é preciso ter cautela. No caso dos testes de anticorpos IGG e IGM, para Ethel, também podem ocorrer problemas.
“Um IGG positivo e IGM negativo não significa que a pessoa não está mais transmitindo a doença, mas apenas que passou a fase aguda. O ideal é que pudesse ser agrupado ao teste que detecta a doença a possibilidade de cada um, enquanto espera o resultado, ficar em isolamento no mínimo de sete dias para encontrar com outras pessoas”, revelou.
Ela completou que não adianta de nada se os demais presentes nesse encontro não tiverem o mesmo cuidado de isolamento. “Você estará protegendo os outros, mas não estará protegido”, ressaltou a epidemiologista.
Riscos
O médico infectologista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo, Crispim Cerutti Junior, frisou que não existe um teste que isente as pessoas para que possam sair e encontrar outros indivíduos.
“O PCR, por exemplo, dependendo do momento em que é feito, tem grande chance de dar falso-negativo. O fato de a pessoa já ter tido a doença também não garante que ela não terá outra vez. A presença do anticorpo não torna ninguém invulnerável. Por isso, a medida mais eficaz é deixar a festa para o próximo ano”, orientou.
Testes disponíveis
Resultado em minutos ou até 7 dias
1 – RT-PCR
- É considerado o padrão ouro no diagnóstico da Covid-19, cuja confirmação é obtida por meio da detecção de material genético do vírus na amostra analisada, preferencialmente obtida de raspado do nariz e da garganta.
- A coleta deve ser feita, preferencialmente, entre o terceiro até o 10º dia de sintomas.
- O PCR identifica o vírus no período em que está ativo no organismo, ao contrário dos testes sorológicos.
- Dependendo do laboratório, o resultado sai, em média, entre 24h a 7 dias, podendo ser maior o tempo.
2 – Testes sorológicos
- Os testes sorológicos determinam se a pessoa teve contato com o coronavírus e já produziu anticorpos para defesa (IgA, IgG ou IgM).
- São indicados para pessoas com sintomas ou que tiveram contato com doentes há pelo menos sete dias (a quantidade pode variar entre diferentes tipos de testes).
- Os resultados de exames tradicionais, de sangue, dependendo do teste, podem sair em algumas horas ou até em 48 horas.
- Também há também exames que detectam a presença de anticorpos em alguns minutos, os chamados testes rápidos. Geralmente, são feitos com coleta de sangue do dedo e têm precisão menor.
Fonte: Especialistas consultados.
