Dois estudantes de Nova Venécia, no Noroeste do Estado, foram premiados com medalha de ouro em uma competição nacional de astronomia. Isaac Vigne e Leovictor Santos Torezani, ambos de 12 anos, construíram um foguete e conseguiram lança-lo a uma distância de 170 metros na Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG).
A competição de criação e lançamento de foguetes faz parte da Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA), que acontece todos os anos e tem a participação de milhares de estudantes de todos os estados do País.
Isaac e Leovictor são alunos do 6ª ano da EMEF Doutor Adalton Santos, localizada no bairro Municipal I, próximo ao Centro de Nova Venécia, e se inscreveram para participar da competição neste ano.
Para encarar o campeonato, os amigos tiveram que superar alguns obstáculos. O primeiro a distância. Leovictor mora em Nova Venécia, enquanto que Isaac, atualmente, reside em São Mateus.
“Primeiro, começamos pesquisando cada um na sua casa. Depois, a gente marcou aqui em Nova Venécia. A gente construiu os foguetes com as nossas ideias. Se não me engano, a gente construiu mais de cinco foguetes. Fizemos uns oito lançamentos”, conta Leovictor.
Para ter uma noção de qual distância precisariam alcançar com o foguete para conseguir uma medalha, os meninos pesquisaram o histórico da competição e tinham como meta lançar o objeto a 150 metros para conseguir o bronze.
“A gente queria bater a meta de 150 metros, mas foi 170 metros. Estou muito animado por ter conseguido a medalha de ouro”, celebra Isaac.
Até conseguir esse resultado, os meninos tiveram que se dedicar ao projeto. “Vi muitos vídeos de como fazer, vídeos de lançamentos diferentes e o que fizeram para melhorar o foguete deles”, lembra Isaac.
Um segundo obstáculo que os meninos precisaram desviar foi a pandemia, que resultou no fechamento das escolas pelo Estado. Sem a presença do professor por perto para orientar o projeto, coube para as mães dos estudantes essa tarefa.
A mãe de Leovictor, a servidora pública Mércia Torezani, revela que nunca pensou em construir um foguete na vida. “A gente fez mesmo na expectativa de tirar uma prata ou bronze para não perder a empolgação dos meninos, mas quando veio o ouro foi muito gratificante”, conta.
Quem também ficou feliz com o resultado foi a professora Débora Vigne, mãe de Isaac. Segundo ela, a organização da mostra deu orientações sobre o material que seria necessário para a construção dos foguetes.

“Isaac caçou vídeo de foguetes, formatos anatômicos, física e bicos de foguetes e como funcionam. Leovictor pesquisou sobre as balas, a anatomia de balas e como funcionam os lançamentos. Cada lançamento era uma festa e uma aprendizagem do que podiam melhorar”, lembra.
O lançamento que levou a medalha de ouro foi acompanhado pelo professor de Geografia dos estudantes, Claudio Sergio dos Santos. Durante a construção do foguete, ele acompanhou o processo e deu orientações aos meninos de forma virtual.
“Para nossa surpresa o foguete, quando foi lançado, atingiu 170 metros. Ficamos em dúvida se seria prata ou bronze, mas superou a tabela e foi ouro”, disse ele, em referência a tabela da organização para definir as medalhas, a qual os participantes não têm acesso antes da competição.
Sonho e conquista
Depois do fim da fase de lançamentos e comunicação aos organizadores dos resultados, os estudantes tiveram que aguardar pela classificação. No caso de Leovictor, a notícia veio durante um sonho, como diz a mãe dele.

“Estava dormindo, estava no sono profundo e minha mãe chegou me acordando”, disse Leovictor.
Já Isaac analisa que foi divertido e emocionante participar da competição. Ele, que gosta de matemática e pensa em ser engenheiro civil, já planeja projetar os próximos foguetes. “Vou lançar mais longe no ano que vem para conseguir mais medalha”, adianta o menino.
A mãe de Isaac frisou que incentiva os alunos a aprender com formas lúdicas. “Não é só fazer por fazer, tem que aprender. Por trás da brincadeira, ver que a ciência é importante e quem sabe sai uma profissão disso”, afirma Débora.
Aluno na seletiva para fase internacional
Além de Isaac e Leovictor que se destacaram e foram premiados no lançamento de foguete, a EMEF Doutor Adalton Santos ainda conseguiu mais um bom resultado na OBA.
Na prova escrita, que foi feita de forma virtual por conta da pandemia, um aluno do 9º ano alcançou média acima de 9 e está selecionado para participar de uma seletiva que vai formar a equipe brasileira que vai participar da etapa internacional da Olímpiada de Astronomia. A seletiva e a competição estão previstas para 2021.
“Fico bastante orgulhoso. Feliz com os resultados que eles obtiveram. É uma conquista deles, um motivo a mais para eles continuarem buscando estudando e crescendo. Eu acredito muito no potencial deles e acredito que vão chegar mais longe”, diz o professor Cláudio sobre os resultados dos alunos da escola na OBA.
