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Menos tempo nas redes sociais para viver melhor

Elas estão na palma da mão, basta um clique no celular: as redes sociais. Não é difícil perder a noção do tempo ao acessá-las. Apesar da facilidade, ...

Maria Paula e Raphaela: treinamento de força física cansa o corpo e descansa a mente

Última atualização

Maria Paula e Raphaela: treinamento de força física cansa o corpo e  descansa a mente (Foto: Fábio Nunes/AT)

Elas estão na palma da mão, basta um clique no celular: as redes sociais. Não é difícil perder a noção do tempo ao acessá-las. Apesar da facilidade, cada vez tem se tornado crescente a reflexão sobre o uso dessas ferramentas digitais.

Tanto que parte dos jovens está reduzindo o tempo nas redes para aproveitar mais a vida. Outros estão até excluindo os perfis.

Um estudo realizado pela agência de pesquisa Dentsu Aegis Network em 22 países, com cinco mil entrevistados, revelou que um a cada cinco jovens entre 18 e 24 anos afirmou ter desativado suas redes sociais. O principal motivo apontado pelos que tomaram a decisão são os danos causados à saúde mental.

Já 31% dos entrevistados disseram que limitaram o tempo que passam online ou no celular.

“Pesquisas recentes têm mostrado que o uso excessivo de tecnologias de informação e comunicação podem trazer uma série de consequências negativas para a saúde e o bem-estar do indivíduo”, destaca o psicólogo Vinícius Grassi.

Dentre as consequências, Vinícius pontua o sobrepeso, problemas de vista e de postura, insônia, ansiedade, depressão, dificuldade de foco e atenção, transtornos alimentares e baixa autoestima.

A psicóloga e psicoterapeuta Débora Monteiro ressalta também que o uso excessivo das redes sociais pode fazer com que o cérebro fique acostumado com o excessivo estímulo, afetando a neuroplasticidade cerebral.

A auxiliar de bibliotecário Raphaela Alves, de 26 anos, conta que sempre teve um estilo de vida ativo, mas com a pandemia se afastou do crossfit (treinamento de força e condicionamento) e passou a utilizar mais as redes sociais.

Ela afirma que percebeu que não estava fazendo bem para sua saúde e reduziu o tempo de navegação, além de ter voltado às atividades físicas. “Estava ficando muito cansada mentalmente. O tempo que teria para fazer outras coisas, estava perdendo nas redes sociais”.

Quem também reduziu o tempo de navegação nas redes sociais foi a advogada Maria Paula Nippes, 27. “Passei a me dedicar mais ao crossfit, e durante o treino deixo o celular no modo avião para não receber notificações de redes sociais e nem ligações”, relata.

Chances para novas atividades

Secretária escolar Jacqueline Schultz Regatieri fez um afastamento das redes sociais e ganhou tempo para reatar uma antiga paixão: ler  livros (Foto: Kadidja Fernandes/AT)

Com o tempo que é gasto nas redes sociais, o que seria possível fazer? Ler um livro, cozinhar, praticar atividades físicas, aprender a tocar um instrumento. Essas são algumas opções do que é possível fazer com o tempo, segundo especialistas.

Levantamento realizado pela Ioasys, empresa especializada em transformação digital, com 1.300 brasileiros, revela que as pessoas têm passado, em média, quatro horas por dia conectadas com mídias sociais durante a quarentena.

Porém, para algumas pessoas, este período tem servido para realizar um “detox” (afastamento) da internet e está sendo utilizado de outra forma.

Esse foi o caso da secretária escolar Jacqueline Schultz Regatieri, 30 anos. Durante junho e julho, Jacqueline conta que desativou as redes sociais, principalmente para equilibrar o excesso de informações ruins relativas ao período.

“Nunca tinha ficado tanto tempo sem rede social. Desativei o que mais acessava: Instagram e Facebook. No início eu fiquei um pouco ansiosa, mas em quatro dias eu já tinha me policiado e nem pegava o celular”, conta.

Com o tempo livre, Jacqueline passou a ler mais e ver séries. “Pensei que estava o tempo todo em casa e não tinha feito nada de produtivo, não tinha lido um livro, e antes eu lia pelo menos um livro por mês. Foi quando resolvi dar esse tempo das redes sociais”.

Para a piscóloga Lana Francischetto, a iniciativa de se desvincular das redes sociais vem proporcionando um ganho de qualidade de vida.

“As pessoas podem, de fato, usufruir de seus hobbies, do contato interpessoal, da vivência da afetividade, de uma boa alimentação e da prática de exercícios”, afirmou.

De acordo com a psicóloga Débora Monteiro, distanciar-se das redes sociais por um tempo pode beneficiar a concentração, memória e qualidade do sono. “Não tem problema estar nas redes sociais. O que acontece é que hoje há uma compulsão pela internet”.

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