Para Nikolas Antunes, 38, “a beleza é uma questão cultural”. E justifica a relatividade desse conceito em bate-papo com o AT2: “O que é bonito para um não é para o outro”.
Pelo sim ou pelo não, o fato é que esse pernambucano que não se acha gato tira o foco da estética e coloca os desafios lançados pela vida como protagonistas dela. Se for para viver novas experiências, ele está pronto!

Falando em mudanças, o artista vai além, ao reconhecer que a pandemia foi responsável por transformações significativas na sua vida.
“Mudei assustadoramente: meu respeito pela vida aumentou muito e passei a valorizar coisas simples. Penso que são nesses momentos difíceis que a humanidade mostra como o amor é o que nos salva”, diz ele, que também atuou na novela “Espelho da Vida”.
ENTREVISTA | Nikolas Antunes, ator
“É por isso que evoluímos: para retardar a morte”
AT2 Desafios e mudanças são pratos cheios para você. Em “Desalma”, atuou ao lado de Cássia Kis. Como foi?
Nikolas Antunes Ela tem uma entrega gigantesca e muita energia. É pequena fisicamente, mas fica gigante em cena. Muito curioso isso. Para mim, é um privilégio, procuro ficar o mais quieto possível para aprender e me jogar de cabeça.
O que foi mais desafiador: controlar a tensão ao lado de grandes nomes da teledramaturgia ou enfrentar o penhasco?
Não me sinto tensionado quando trabalho com pessoas grandes. Isso me motiva. Quando gravei com a Fernanda Montenegro no seriado “Doce de Mãe”, por exemplo, apenas ficava quieto, observando.
Já o penhasco é bastante complicado, você fica muito alerta e as pernas começam a tremer. Lembro que o dublê que fez o teste de segurança ficou na beirada uns 10 minutos e saiu exausto. É muito difícil ficar ali sem sair do personagem. Houve momentos em que quase desisti. Fico feliz que deu certo.
A série fala sobre a angústia humana diante da morte. Ao interpretar Roman, sua forma de encarar a morte mudou?
“Desalma” é um conto de ficção que aborda temática cultural que, de fato, existe na Ucrânia e aqui, no Sul do País. Eu já tive experiências na Amazônia e no Nordeste com coisas parecidas, e acho muito bonito. Enxergo muita beleza em tradições culturais, mas é apenas isso. O modo como encaro a morte é muito simples: chegou a hora de desligar e descansar.
O que a morte representa para você?
A vida. É através dela que buscamos ficar vivos. É por causa da morte que a natureza é tão plural. É por isso que evoluímos, que a natureza e todos os seres evoluem: para retardar a morte. Penso que a maneira mais eficaz que a natureza encontrou de encarar a morte é através da reprodução. Até agora, tudo morre, até o sol.
E o que te reconecta com a vida?
A morte faz parte da vida, uma não existe sem a outra, ela não me desconecta. Existe um ritual cultural no México chamado “O Dia da Morte”, no qual multidões fazem um verdadeiro carnaval comemorando a morte. Em muitas culturas pelo mundo, as pessoas fazem uma festa quando alguém morre. Eu sou parecido. É triste, mas a gente comemora o que a pessoa representou em vida.
O QUE ELE DIZ
Flexibilização
“Bastante delicado falar sobre isso. Acredito que a humanidade vem em um processo contínuo de isolamento, que se dá devido ao excesso de pessoas nas grandes cidades. Quanto mais gente, mais solidão e mais casos de doenças psicológicas devido à solidão. Eu penso que a quarentena acelerou esse processo e que as pessoas mudaram nesse sentido. Sou bastante otimista, mas acho que temos dois problemas cruciais para resolver: preservar a natureza que ainda resta e estancar o crescimento populacional”, diz, ao AT2, Nikolas Antunes sobre flexibilização em tempos de pandemia.
Das passarelas para os sets
“Eu nunca fui um modelo de fato. Preferi fazer faculdade a viajar para o exterior. Foi um período curto que me ensinou muito, mas a exposição que um modelo encara nas passarelas ou fazendo fotos foi a ponte para a exposição de um ator trabalhando, para mim. Sou grato”, reconhece o ator.
Preconceito contra beleza
Em entrevista com o AT2, o pernambucano Nikolas Antunes observa que sua aparência já atrapalhou em seu trabalho de ator. “Sim, muito. Há bastante preconceito”, afirma.
Série “Desalma”
“O Roman, meu personagem, é muito misterioso. Sofreu muito, tem arrependimentos e, ao mesmo tempo, não parece ser o tipo de homem que desiste das coisas. Pelo contrário. Acho que a autora, Ana Paula Maia, tem muitas surpresas para apresentar. Eu sempre digo que existem mais coisas entre o Roman e Brígida (cidade fictícia da série “Desalma) do que a gente pode imaginar. O projeto é completamente revolucionário, o formato é universal”, ressalta Nikolas.