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Economia

Dólar sobe e previsão é de preços mais altos em 2021

O dólar chegou a subir mais de 2% no pior momento desta segunda-feira (28), o que chamou o Banco Central a agir. Ainda assim, a moeda fechou em alta ...

Última atualização

O dólar chegou a subir mais de 2% no pior momento desta segunda-feira (28), o que chamou o Banco Central a agir. Ainda assim, a moeda fechou em alta de 0,66%, a R$ 5,23, maior valor desde o dia 2. Essa incerteza sobre o câmbio é um dos fatores que levam especialistas a preverem que a inflação continuará em alta em 2021.

Os preços dos alimentos devem parar de subir até o fim de março, mas segmentos como serviços, bens duráveis e preços administrados devem sofrer um “repasse”, podendo criar pressão por uma atuação mais imediata da política monetária, diz André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV).

 Dólar em alta: incerteza (Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil)A expectativa para o ano é que haja disseminação de aumentos de preços, diz ele. As informações são do jornal Valor Econômico.

“É provável que a inflação ao produtor, que viu alta de mais de 60% nas matérias-primas brutas em 2020, imponha desafios à cadeia produtiva justo em um momento de retomada da economia, o que pode incentivar esse espalhamento.”

Para Braz, se incertezas importantes forem suavizadas, como o recrudescimento da pandemia, a partir da vacina, e a trajetória da dívida pública brasileira, com sinalizações críveis de controle fiscal, seria possível encerrar 2021 com uma inflação ao redor de 3,5%, abaixo do centro da meta para o ano, de 3,75%. Por ora, Braz aposta nesse cenário, mas, se nada for feito, a inflação pode chegar a 4,5%, afirma:

“O ano que vem é de retomada do crescimento. Isso deve criar emprego, consumo e um desafio maior para a inflação. Se a gente não conseguir estabilizar o câmbio, segmentos importantes, gradualmente, vão se sentir à vontade, ou tão pressionados, que não vão encontrar outra solução que não seja repassar aos preços finais.”

Braz lembra que, no começo da pandemia, a perspectiva era que a crise teria caráter desinflacionário, ou seja, de redução de preços. O que subia naquele momento eram os valores dos alimentos, conforme as famílias antecipavam compras para estocar produtos.

Ao longo do ano, porém, outros fatores foram pesando, como problemas de safra e a intensa desvalorização do real, impulsionada pelas incertezas sanitária e fiscal.
 

Maioria acredita em alta da inflação

A expectativa de aumento da inflação atingiu em dezembro o maior patamar registrado no governo Jair Bolsonaro (sem partido) pelas pesquisas do Datafolha.

Segundo o levantamento, 72% dos entrevistados afirmam que a inflação vai aumentar. Em agosto deste ano, eram 67%. Naquele mês, a inflação em 12 meses medida pelo IPCA estava em 2,44%. Em novembro, chegou a 4,31%.

Em dezembro de 2019, pouco mais da metade dos entrevistados (52%) fazia essa avaliação, apesar da disparada nos preços naquele mês, principalmente, por causa do aumento no custo das carnes.

Na pesquisa de abril do ano passado, eram 45% os que previam alta da inflação nos meses seguintes. A parcela dos que esperam ver uma queda da inflação recuou de 17% em dezembro do ano passado para 11% em agosto deste ano e para 10% na pesquisa mais recente. Os demais entrevistados dizem que a inflação ficará como está.

O Datafolha ouviu 2.016 pessoas por telefone entre os dias 8 e 10 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A percepção dos brasileiros está em linha com as projeções de mercado para os índices de preços no 1º semestre de 2021. Também reflete um momento em que o custo de alimentos e insumos à produção está em alta, por causa de fatores como falta de produtos, aumento de exportações e repasse cambial. O Banco Central prevê inflação de 3,40% no final de 2021. O número está abaixo do centro da meta de 3,75%.

Outro indicador de inflação, o IGP-M, composto por preços no atacado, ao consumidor e da construção, está em patamar bem mais alto: subiu quase 25% nos últimos 12 meses. Os preços de insumos que servem de base para a cadeia produtiva brasileira registram a maior alta desde o início do Plano Real, de quase 70%, segundo dados do FGV Ibre até outubro.
 

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