A busca pelo melhor ângulo na foto que vai estampar a rede social e a distração trazida por canais de comunicação instantânea podem esconder riscos inimagináveis para milhões de brasileiros que não desgrudam do celular. Segundo o Corpo de Bombeiros, acidentes envolvendo o uso de celular para tirar fotos têm sido recorrentes.
O Capitão do Corpo de Bombeiros, Pedroni, alerta que essas ocorrências viraram tendência e ele acredita que vão aumentar ainda mais. O oficial reforça que na época de férias e diversão a atenção deve ser redobrada, pois além dos problemas com as selfies existe também os riscos de afogamentos em geral.
“Infelizmente nós notamos que o número de acidentes causados por amantes de selfies está crescendo constantemente. Os riscos de fazer selfie em locais perigosos é uma preocupação mundial. No Brasil já aconteceram oito mortes envolvendo essas fotos, sem falar nas notificações de acidentes em que a pessoa sobrevive após se arriscar por uma selfie”, disse o Capitão.
O oficial ressalta que o perigo é grande devido aos comportamentos que muitas pessoas têm pensando que estão em situações seguras, mas na verdade estão em locais inapropriados. De acordo com Pedroni, o perigo está principalmente em menosprezar o ambiente ao redor.
“A pessoa está focada na tela do celular. Muitas vezes ela se orienta pelo visor do celular e acaba não se concentrando no entorno, onde está pisando, perto do que ela está, se tem risco de cair, de se afogar… perde a sensibilidade ao barulho e acaba se acidentando”, explica o Capitão.
Pedroni acrescenta: “Isso é um risco e tanto! O correto é primeiro olhar onde está pisando, o que tem ao redor, para depois fazer a foto. E nunca se colocar em situações de perigo como na ponta de penhascos, falésias, perto de pedras que podem escorregar e fazer a pessoa cair no mar ou em cachoeiras, por exemplo”.
“O problema não é se fotografar. Não recomendamos que as pessoas deixem de tirar fotos. A nossa preocupação, na verdade, é que as pessoas estejam atentas aos locais em que pisam, à proximidade em relação aos objetos e locais perigosos”, esclarece o oficial.
“O governo da Rússia, por exemplo, lançou uma campanha para que os cidadãos tomem mais cuidado ao tirar selfies depois que muitas pessoas se machucaram e outras morreram ao fazer poses em situações de perigo”, contou o Capitão.
Pedroni exemplifica como selfies perigosas quando a pessoa deseja fazer fotos no meio de estradas, na linha do trem, em sacadas de prédios, falésias, cachoeiras e próximo a animais selvagens. “Uma selfie legal pode custar sua vida! Fotos ditas como ‘diferentes’ geram mais curtidas e a pessoa que procura esse tipo de selfie quer isso porque almeja mais engajamento”, complementa.
O capitão, então, orienta: “Não pratique esse tipo de selfie de forma alguma, porque a nossa vida não vale a exposição desse risco por curtidas. Não procure locais de risco pra fazer uma selfie. A pessoa se concentra no celular e não no contexto onde está inserida”.
As principais vítimas desse tipo de acidente são adolescentes e jovens, que estão mais acostumados com essa tecnologia. “É importante que quem estiver fazendo a selfie não fique de fone de ouvido e tente não fazer duas coisas ao mesmo tempo, como andar e tirar a foto. Se a pessoa estiver em um lugar de perigo, o ideal é que faça a selfie perto de outra pessoa para evitar acidentes, já que alguém de fora da situação consegue observar melhor os perigos”, orienta o capitão.
Mortes por causa de selfie
Vários acidentes e mortes de jovens ocorridos durante uma tentativa de selfie foram noticiadas ao longo dos anos. Um dos casos aconteceu em 2018, quando uma adolescente de 17 anos escorregou em uma cachoeira na Zona da Mata, em Minas Gerais, ao tentar tirar uma foto.
Outro caso aconteceu em 2017, quando um adolescente também de 17 anos morreu depois de tirar uma selfie em uma linha de trem de Governador Valadares, no estado mineiro.
Já um russo chamado Kirill Oreshkin, seguido por 17.900 pessoas nas redes sociais, é conhecido por suas fotos em cima de edifícios.
Drewsssik, outro usuário do Instagram, também conquistou um grande números de seguidores com imagens tiradas em cima de estruturas altas. Ele morreu em 2015, depois de cair de um edifício.
Afogamentos

O afogamento é a segunda causa de morte entre pessoas na faixa etária de 5 a 14 anos.
A prevenção de situações de risco de lesões e acidentes é fundamental. Quando a prevenção é realizada e os acidentes escapam do controle, é de extrema importância que as pessoas saibam como socorrer com eficiência e segurança.
No entanto, o Corpo de Bombeiros alerta para os cuidados necessários para evitar acidentes e até tragédias.
“Uma das questões é conhecer bem o local onde se banhar, não consumir bebidas alcoólicas e esperar para entrar na água após as refeições. No caso das crianças, a atenção deve ser redobrada, principalmente em brincadeiras. Os bombeiros também orientam que as pessoas utilizem equipamentos de segurança como boias, coletes salva-vidas, pranchas ou qualquer outro material flutuante”, disse o capitão.
“Outra orientação é que, quando as pessoas forem para à praia, cachoeiras ou piscinas, lembrem-se de levar algum objeto que sirva para salvamento caso presencie um afogamento. Pode ser um objeto flutuante ou que sirva para puxar a pessoa. Podemos citar como exemplo objetos que na maioria das vezes temos em casa, como bolas, cordas e boias”, orienta Pedroni.
DICAS PARA EVITAR ACIDENTES COM SELFIE
– Nunca faça uso de celular ao dirigir;
– Evite ir a locais perigosos para fazer selfies como sacadas de prédios, no alto de falésias, na beira de precipícios, próximo a locais onde há a possibilidade de deslizamento ou de afogamento, próximo a animais selvagens, dentre outros.
DICAS PARA EVITAR AFOGAMENTOS
“Para bebês e crianças pequenas até baldes, banheiras e vasos sanitários podem oferecer riscos. Um adulto deve sempre supervisionar as crianças e adolescentes onde houver água, mesmo que saibam nadar ou que os locais sejam considerados rasos”, alerta Pedroni.
Em caso de incidente, a orientação é chamar o socorro profissional imediatamente, ligando para o 193. “Tente ajudar sem entrar na água, forneça uma boia, um galho, uma corda e só entre na água se for seguro para você. O risco é alto e muitas pessoas se tornam vítimas tentando salvar outras”, explicou.
MAR, RIOS, CACHOEIRAS, ETC
– Escolher praias que tenham salva-vidas
– Pergunte ao salva-vidas o melhor lugar para o banho;
– Tome conhecimento e obedeça as sinalizações de perigo;
– Antes de banhar-se informe-se sobre a correnteza e a profundidade;
– Evite álcool e alimentos pesados antes de entrar no mar;
– Não entrar na água se tiver feito uso bebidas alcoólicas, porque o álcool diminui os reflexos e aumenta a confiança na habilidade de nadar, o que não necessariamente é verdade;
– Não superestime sua natação — 46,6% dos afogados acham que sabem nadar.
– Se não souber nadar, faça uso de coletes salva vidas;
– Tenha sempre atenção com as crianças;
– Mais de 85% dos afogamentos ocorrem em buracos e valas;
– Seja prudente ao tentar salvar alguém, pois muitas pessoas morrem desta forma. Sempre que possível chame um salva-vidas;
– Antes de mergulhar, verifique a profundidade;
– Afaste-se de animais marinhos como água-viva e caravelas;
– Evite o banho próximo às plataformas de pesca, desembocaduras (foz) de rios e costeiras, pois nestes locais existem correntes de retorno (repuxo) permanentes;
– Assim que avistar uma pessoa se afogando, ligue imediatamente para o Corpo de Bombeiros (telefone 193);
– Em rios: observe a correnteza, os buracos e os galhos submersos;
– Em açudes e barragens: verifique a profundidade, os galhos e o lodo no fundo.
– Em cascatas: veja profundidade, pedras e água;
– Evite brincadeiras como simulações de afogamento ou forçar a cabeça de um amigo para dentro da água;
– Evite banhos em períodos de enchente ou em zonas de correnteza;
– Mantenha-se distante de rochas;
EM PISCINAS
– Cuidado com os horários de banho: a hora do almoço deve ser evitada;
– Tenha grades ao redor da piscina. Elas dificultam o acesso de crianças;
– Boias de braço não reduzem o risco de afogamento;
– Evite brinquedos próximos à piscina, eles funcionam como verdadeiros atrativos;
– Desligue o filtro da piscina quando estiver usando-a;
– Não pratique hiperventilação para aumentar o fôlego sem supervisão;
– Cuidado ao mergulhar em locais rasos. O ideal é colocar avisos;
– Caso deixe a piscina, leve as crianças que estiverem usando-a consigo;
CASO PRESENCIE ALGUÉM SE AFOGANDO
– Forneça material de flutuação pra aquela pessoa (boia, bola, pranchas, isopor, etc);
– Jogue para a pessoa que está se afogando um objeto de resgate, como uma corda, galho de árvore, cabo de vassoura, varal;
– Lembre-se de levar para a praia, cachoeira, rio ou piscina algum objeto flutuante que possa ajudar uma pessoa caso ela se afogue
– Nunca faça aproximação corpo a corpo com que está se afogando, a não ser que tenha treinamento.
