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Ele já foi lavador de carros e hoje ensina como ter sucesso nos negócios

Ele foi do posto de gasolina ao Palácio do Planalto. Trabalhou lavando carros na adolescência para anos mais tarde aconselhar dois presidentes da ...

Cláudio Tosta também fez cirurgias em policiais baleados, lutou para combater a Aids e tocou em grupo de axé

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Ele foi do posto de gasolina ao Palácio do Planalto. Trabalhou lavando carros na adolescência para anos mais tarde aconselhar dois presidentes da República.

E, no intervalo, passou fome, fez cirurgias em policiais baleados, lutou para combater a Aids no País e até tocou no grupo de axé Chiclete com Banana.

Cláudio Tosta também fez cirurgias em policiais baleados, lutou para combater a Aids e tocou em grupo de axé (Foto: Leone Iglesias/AT)

O vasto histórico parece detalhar a vida de pessoas diferentes, mas é de uma só: Cláudio Alexandre Tosta.

Aos 58 anos, ele hoje se divide entre Vila Velha e os Estados Unidos, sendo consultor de planejamento estratégico para quem deseja ter sucesso nos negócios.

Até chegar ao que faz hoje, Cláudio passou por grandes mudanças de vida, passando por cidades e experiências diferentes. “A vida vai nos levando. Sempre optei por experimentar. Mas nada supera a competência, a determinação e a força de vontade. Essa é a história da minha vida”, salienta.

Cláudio nasceu em Brasília, mas morou apenas um ano na cidade onde mais tarde voltaria para trabalhar no governo federal. Após a separação dos pais, ele se mudou para uma favela no Rio de Janeiro. Viveu na pele a realidade característica de regiões como essa: fome, tráfico de drogas e violência.

“Foi onde eu vi arma, droga e morte pela primeira vez. Foi um momento de muita dificuldade”.

O primeiro emprego, aos 14 anos, foi em um posto de combustível, época em que pegava cinco ônibus por dia e chegava em casa depois da meia-noite. “E ainda tinha que pagar ‘pedágio’ para o pessoal do bairro”, conta.

A vida de Cláudio começou a mudar após ele e sua mãe se mudarem para Recife, Pernambuco, quando ele tinha 18 anos. Formou-se em Odontologia para mais tarde se especializar em cirurgia. O sucesso na carreira abriu portas: foi convidado para integrar o Ministério da Saúde.

Trabalhou no governo federal na gestão de dois presidentes: Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso. Atuou diretamente no momento em que o mundo via explodir os casos de Aids. Em 1996, passou a se dedicar ao que mais gostava: consultoria.

Hoje, é responsável, por exemplo, pelo planejamento estratégico da gigante Sony Music, que tem em seu leque artistas como Roberto Carlos, Titãs e Pablo Vittar.

“Sempre quis conhecer coisas e melhorar de vida”, Cláudio Alexandre Tosta professor

A Tribuna – Como foi sua infância?
Cláudio Alexandre Tosta – Eu nasci em Brasília, mas quando tinha um ano, meus pais se separaram e fui para o Rio de Janeiro com minha mãe. Meu pai morreu em um acidente de carro, mas eu não cheguei a conhecê-lo. Vi uma vez, e nem sabia que era meu pai. Depois fui descobrir que ele era conhecido, médico da família do ex-presidente Juscelino Kubitschek.

Mas no Rio eu passei muita necessidade. Foi onde vi arma, droga e morte pela primeira vez. O esgoto era na porta de casa. Passamos fome, fomos despejados, foi um momento de muita dificuldade.

A Tribuna – E como era sua vida em um local tão complicado?
Cláudio Alexandre Tosta – Eu tinha muitos amigos que tinham tudo: moto, carro, grana, mas tudo vindo do crime. E eu não entrei. Mas foi muito difícil. Imagina um adolescente, num lugar onde todos têm poder, e você não tem nenhum. Temos que ter muita estrutura emocional para aguentar o tranco.

A Tribuna – Seu primeiro emprego foi em um posto de gasolina?
Cláudio Alexandre Tosta – Sim, tinha de 13 para 14 anos. Pegava três ônibus para ir e dois para voltar, chegava muitas vezes depois de meia-noite e ainda tinha que pagar pedágio no bairro. Depois, trabalhei lavando carros.

A Tribuna – E você nunca parou de estudar?
Cláudio Alexandre Tosta – Nunca parei. Sempre acreditei no que minha mãe dizia: que a única coisa que ninguém poderia tirar de mim era o conhecimento.

A Tribuna – Quando sua vida começou a mudar?
Cláudio Alexandre Tosta – Quando fui para Recife, aos 18 anos. Lá, eu consegui não ter a pressão do local, que faz muita diferença na vida da pessoa. Comecei a estudar Odontologia e já em 1983 fiz minha primeira consultoria de planejamento estratégico.

Montamos um atendimento médico e odontológico 24 horas. Foi o primeiro de Recife. Aquilo começou a mudar minha vida, pois até então eu não tinha dinheiro nem para comprar os livros da faculdade. Era tudo emprestado.

A Tribuna – E no meio da área da saúde você ainda encontrou tempo para ser músico…
Cláudio Alexandre Tosta – Recebi um convite para dar um treinamento em Salvador. Fui sem receber nada, mas aconteceu algo maravilhoso. Colocaram uns caras para tocar num prédio e me convidaram para ver como retribuição.

Foi ali que eu conheci o axé. Me apaixonei. Eu havia levado o meu cavaquinho e pedi para tocar com os caras, que estavam em início de carreira. Era o Chiclete com Banana. Fiquei amigo e participei de muitas apresentações com eles.

Palácio do planalto, onde atuou aconselhando dois ex-presidentes (Foto: Divulgação)A Tribuna – E como você foi parar no governo?
Cláudio Alexandre Tosta – Em 1986, voltei para o Rio de Janeiro, fiz mestrado em Cirurgia e várias portas se abriram. Me especializei em cirurgia em pessoas baleadas, atendi muitos policiais. Aprendi muito com pessoas como o Ivo Pitanguy. Isso mudou minha vida novamente.

Nessa época, eu já fazia consultoria, que eu gostava mais do que cirurgia. Fazia consultoria para clínicas, comércio, empreendimentos, sempre com o planejamento estratégico do negócio. Então comecei a operar de graça.

Em 1990, o então ministro da Saúde Adib Jatene viu uma palestra minha, soube da minha história e me convidou para o ministério.

A Tribuna – Você atuou no início da expansão da Aids no Brasil. Como foi esse período?
Cláudio Alexandre Tosta – Fizemos muito em relação à doença. Na época, não existia internet, então a gente pegava os jornais e ligávamos para todos os garotos e garotas de programa para avisar sobre a chegada da Aids. Fazíamos 5 mil ligações por semana, explicando sobre a doença e o uso de camisinha. Depois, trabalhamos diretamente com eles em mutirões e isso foi muito importante para observar a doença.

A Tribuna – Você atuou diretamente com os presidentes?
Cláudio Alexandre Tosta – O presidente me pediu e fiz projetos de planejamento estratégico na presidência da República. Foi ali que conheci o País olhando de cima, comecei a entender de Macapá a Porto Alegre, uma visão do que era de fato o Brasil.

A Tribuna – Como e por que você veio para o Estado?
Cláudio Alexandre Tosta – Saí do governo federal em 1996, quando fiz o meu planejamento pessoal. Nesse ano, me mudei para Vila Velha para curtir minha filha e aproveitar minha vida, de maneira simples, pois nunca fui rico e continuo não sendo. Sempre tive princípios.

Essa é a razão de nunca ter me corrompido, seja quando morava na favela ou na política. Foi em Vila Velha que comecei a ter qualidade de vida e nunca mais precisei trabalhar para ninguém. E hoje você é professor

A Tribuna – E hoje você é professor e consultor?
Cláudio Alexandre Tosta – Em 2000, fui para os EUA. Fiz PHD em business, comecei a dar aula e hoje me dedico a isso. Também faço planejamento estratégico de artistas, trabalho com a Sony, responsável por artistas como Roberto Carlos, Titãs, Jota Quest, Pablo Vittar, entre muitos outros. Foi um presente que ganhei.

A Tribuna – O que de fato te transformou no que você é hoje?
Cláudio Alexandre Tosta – Primeiro, as bases da minha mãe. Segundo, a necessidade que me levou a sobreviver. Terceiro, a vontade de conhecer coisas e melhorar de vida. Se tem um tsunami vindo, a melhor opção é pegar uma prancha e surfar nela.

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