“Está ficando complicado sustentar a nossa família”, reclamou Vilson dos Reis Jesus, 54, pescador. Ele reclama que grandes traineiras – embarcações industriais que usam de rede de pesca – estão tirando do mar os peixes que garantiriam a sobrevivência dele.
O presidente da Colônia de Pescadores da Praia do Suá, Álvaro Martins, explicou que são redes de 1.500 mestros de comprimento por 100 mestro de altura. “É um problema difícil de resolver.”
“Em um lance de rede são pescadas 50 toneladas, ressaltou Joaquim Braga Bigossi Neto, 29, pescador”. A documentação deles permite a pesca de uma espécie específica e de peixes diversos. Peixe diverso é qualquer um.”
“A espada hoje é peixe de exportação. Criamuita renda para os barcos menores. As traineiras acabam com a nossa temporada. A gente sofre o ano inteiro esperando a temporada de espada e quando é para ter um benefício maior, acaba não tendo por conta disso.”
Ele destacou que reclama e ninguém faz nada. “A gente fez reclamação no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na Capitania”, enfatizou.
O João Luiz Gasparini, biólogo, especialista em peixes e doutorando em Ciências Ambientais e Conservação explicou como funciona. “Elas varrem o fundo. Verdadeiramente ‘passam o rodo e limpam áreas imensas. Pescando tudo e ainda revolvendo o fundo marinho, impactando até na estrutura desses ambientes.”
Para ele, “as grandes traineiras bem equipadas são o pior pesadelo que podemos ter”. Ele enfatiza que a pesca industrial sufocou e extinguiu a pesca artesanal em muitas localidades do planeta.
“Poucos enriquecem e muitos são afetados negativamente, e, o pior, o ambiente e os peixes são dizimados num período curto de tempo.”
A Marinha informou que Capitania dos Portos (CPES) possui como uma de suas atribuições a fiscalização das embarcações em relação à regularidade de documentos. “A CPES tem conduzido ações de inspeção naval interagências, juntamente com órgãos municipais, estaduais e federais. Durante essas operações, cada órgão executa e faz cumprir as legislações e atribuições que lhe são inerentes”, disse por nota.
Ibama foi procurado e não respondeu até o fechamento da edição. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento disse que a Secretaria de Aquicultura e Pesca não recebeu relatos de pescadores ou entidades sobre o tema.
