
A ideia foi batizada de “Open Sine” no Ministério da Economia e tem o objetivo de abrir os dados dos trabalhadores, de maneira voluntária, a fim de aumentar a chance de pareamento entre vagas e potenciais empregados.
Embora tenha uma rede de alcance nacional, o Sine não é utilizado por muitas empresas, que preferem desenvolver programas próprios de recrutamento ou contratar agências privadas de emprego.
O governo quer que essas agências e as empresas tenham acesso aos dados que são coletados pelo Sine, por exemplo, quando o trabalhador faz o registro no seguro-desemprego.
Com isso, espera fomentar um mercado de empresas interessadas em fazer o “match” (pareamento), por meio de aplicativos e novas tecnologias, uma espécie de Tinder do mercado de trabalho.
Os estudos começaram a ser desenvolvidos na nova secretaria especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, do Ministério da Economia. Chefiada pelo economista Carlos da Costa, a secretaria herdou parte das atribuições do antigo Ministério do Trabalho, que foi extinto na gestão do presidente Jair Bolsonaro.
A avaliação é que o atual sistema não vem conseguindo cumprir o objetivo de reduzir o desemprego.
“Precisamos entender quais são os dados dos trabalhadores que facilitam o ‘match’. Mas não seremos nós, o Estado, que vamos ter estrutura para captar as vagas de empresas e fazer este ‘match’. Deixa startups fazerem isso, deixa o mercado se encarregar”, afirma Costa.
“Essas empresas não fizeram isso até hoje porque não tinham acesso aos dados e porque não viam oportunidade, com o governo querendo fazer tudo, querendo captar a vaga, ir na empresa. Temos que facilitar, em vez de atrapalhar”.
O secretário argumenta que a liberação dos dados pelo governo para o setor privado contará com um sistema de segurança e proteção das informações.
Especialistas aprovam aplicativo
O aplicativo tem o propósito de aproximar o Sine da população, de acordo com a subsecretária de Estado do Trabalho, Emprego e Geração de Renda (Subtrab), Karina Uchoa Abu Ghazaleh.
Ela contou que, desde 2017, existe um aplicativo chamado Sine Fácil, criado em parceria com o extinto Ministério do Trabalho e Dataprev, e destacou que a nova plataforma se chamará “Open Sine”.
“A ideia é aprimorar o serviço por meio do cruzamento de dados do empregador com o perfil do empregado, por isso a comparação com o Tinder”, explicou.
O doutor em administração Bruno Félix, especialista em gestão de pessoas, liderança e desenvolvimento humano observou que aplicativos que buscam conectar duas pessoas, ou uma pessoa com uma empresa que tenham interesses em comum são tendência mundial. O consultor de RH e diretor da Acroy Elias Gomes também aprovou a reformulação do aplicativo. “É nesse sentido que devemos caminhar e pode ser que, em algum momento, até as entrevistas de emprego sejam virtuais”, disse.
Combinação de interesses
Inspiração do governo
O Tinder
Um aplicativo de relacionamentos baseado em “match”, que significa “combinar” em inglês. A expressão “deu match” significa que dois perfis se encontraram e possuem potencial para um relacionamento.
Como funciona
Para que os perfis se encontrem, é preciso que os dois usuários tenham curtido o perfil um do outro anteriormente. Exemplo: Maria curtiu o perfil de Pedro, se Pedro também vier a curtir a foto de Maria, os dois avançam para um primeiro contato por meio de um chat, onde eles podem conversar e marcar um encontro.
Open Sine
O que é
Um aplicativo de vínculo empregatício que pretende abrir os dados dos trabalhadores para o setor privado, com consentimento e sistema de segurança e proteção das informações, a fim de aumentar a chance de “combinar” vagas e candidatos em potencial.
Como funciona
O governo vai coletar dados quando o trabalhador fizer o registro no seguro-desemprego, por exemplo, e também os currículos dos que vão às agências estaduais em busca de vagas para disponibilizar no aplicativo.
Pontos em comum:
Os dois aplicativos tentam combinar os interesses de dois indivíduos por meio do cruzamento de dados dos usuários. O tinder com objetivo de formar um novo casal e o Open Sine com o objetivo de formar uma nova contratação, diminuindo assim o número de desempregados.