Colaboração de Kayque Fabiano

You, ou Você, apresenta a história de Joe Goldberg , o gerente de uma livraria que um dia recebe uma garota atraente, inteligente e cheia de personalidade, a loira Guinevere Beck. No mesmo momento Joe se torna obcecado pela menina, revelando o que há de pior no ser humano: ele a persegue em todas as redes sociais e invade a sua vida. Tudo isso sem que ela saiba.

É fato que todos na série são cercados de problemas, incluindo o “casal” principal. Uso aspas porque apesar de estarem juntos, Beck e Joe nunca foram de fato um casal. Joe nunca se permitiu a isso e sempre impôs sua personalidade doentia sobre sua vítima.
Em um determinado ponto, o jeito com que o protagonista fala e age, faz com que o espectador se veja em alguns momentos “entendendo” suas atitudes e, na sequência, percebendo que não, ele ultrapassa todo e qualquer limite de sanidade mental. Por mérito do roteiro, somos manipulados, ou quase. E é aí que mora o perigo.
O assédio é um problema sério que merece atenção mais difundida, especialmente considerando a frequência com que iso acontece com as mulheres no Brasil, mas infelizmente, em You o que se vê são vários erros irresponsáveis na descrição da história. Em um certo ponto, o seriado consegue romantizar o assédio, ao mesmo tempo em que cria empatia pelo stalker Joe e frustração com a vítima, Beck. É involuntário, eu sei! Mas acontece.

Os destaques ficam aqui para os episódios finais. A última meia hora de seu season finale transforma a série em um triller de roer as unhas. Com dez episódios e uma segunda temporada já confirmada, a série desvia do final do livro e abre caminho para novas reviravoltas sabe -se lá pra onde, mas com um gancho bom o suficiente para nos fazer esperar até meados de outubro para assistir.