Um dia após a autoproclamação à presidência da Venezuela, por parte do presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, a situação não parece melhorar. Mais de 10 países já declararam apoio a Guaidó, entre eles, o Brasil. Já o presidente dos EUA, Donald Trump, afirma que uma intervenção militar, com o exército americano, não está descartada.
Uma onda de novos protestos tomou as ruas da capital do país, Caracas, trazendo esperança àqueles que se refugiaram no Espírito Santo, desde o começo da crise Venezuelana. A refugiada Adriana Blanco está no Brasil há mais de dois anos, porque se viu obrigada a fugir de seu país de origem, se quisesse sobreviver, junto com a mãe idosa e um filho de 10 anos. Eles chegaram ao Estado com o apoio de uma Igreja local.
“Tenho dois sentimentos. O primeiro é a esperança de que o governo, que só trouxe destruição ao meu país, acabe. Sonho em voltar para a Venezuela. O segundo sentimento é de que não poderei voltar agora, porque a transição vai ser violenta e eu não confio nas forças militares. Elas estão apoiando a ditadura de Maduro”, explicou a professora, que afirmou também ter medo de que morram inocentes nesse processo.
Karen de Garcia Jiménez é secretária da polícia do estado de Barinas há 26 anos e continua na Venezuela. Ela conversou exclusivamente com o Tribuna Online sobre a atual situação do país e conta que, apesar das mortes, os protestos não vão parar. “Nós sabemos que essa é a nossa última oportunidade. Primeiro, porque tivemos uma fraude no processo eleitoral reconhecida internacionalmente e porque agora também temos algo que pedimos tempos atrás: apoio internacional”, explicou a venezuelana.

A refugiada Jakeline Briceño vive no Estado há cerca de dois anos e relata casos que sua família e amigos estão passando, durante esses três dias de tensão na crise política e econômica da Venezuela.
“Pessoas das periferias estão saíndo às ruas para acompanhar as manifestações. Onde minha sobrinha mora uns criminosos estão se vestindo de policiais e cortando a energia. Estão entrando nos prédios e se alguém protesta nas janelas de casa, eles jogam fogos na direção delas, sem se importar com quem está lá. Além disso, já houve vários saques em casas e crianças não estão tendo aulas”, explicou.
“Foram três dias de protesto e vários mortos. O que posso falar? A gente fica angustiado, querendo que essa situação acabe logo. Que haja uma libertação completa no nosso país e que nós possamos nos reunir com nossa família novamente. Que as pessoas possam ter uma vida normal, é só isso que a gente quer”, afirmou a venezuelana.
Karen também gravou um vídeo no primeiro dia de manifestação confira abaixo: