O termo História traz consigo acepção polissêmica. Na Grécia antiga, História representava uma ideia de investigação, indagação, inquérito. Na língua alemã, a palavra História (Geschichte), encontra sua raiz semântica no verbo geschehen (acontecer, efetuar-se, existir), referindo-se a algo que, de fato, aconteceu, sendo, pois, passível de verificação empírica.
Em sua fenomenologia do Espírito (1806), Georg Friedrich Hegel (1770-1831) sugere ser a História, o meio através do qual se verifica o progresso do espírito rumo à liberdade.
Compreendendo o espírito como vida, e a vida humana como história, Hegel assevera que esta é na verdade o processo contínuo de formação da consciência.
Nesse sentido, o indivíduo singular deve perpassar as fases de formação do espírito como etapas de um caminho já batido e pavimentado na larga extensão do tempo.
Desse modo, é através da percepção do processo histórico que se pode compreender não apenas as “leis da história”, seu sentido e sua direção, mas, principalmente, entender nossa atual situação histórica.
Essa concepção converge com entendimento do renomado historiador, Marc Bloch, ao afirmar que História é uma ciência que exprime “uma relação em que se vislumbra a importância do presente para a compreensão do passado e vice-versa”.
Segundo Bloch, o objeto da História é o homem no tempo. Em suas palavras, “por trás dos grandes vestígios sensíveis da paisagem, os artefatos ou as máquinas, por trás dos escritos aparentemente mais insípidos e as instituições aparentemente mais desligadas daqueles que as criaram, são os homens que a história quer capturar”.
A esse respeito, um velho ditado árabe citado por Bloch sintetiza seu pensamento: “Os homens se parecem mais com sua época do que com seus pais”.
Por outro lado, a História não apenas propicia o entendimento do passado, mas principalmente favorece a compreensão do presente. Decerto, são indagações do presente que condicionam e delimitam o retorno possível ao passado, fornecendo aos historiadores, entre outras coisas, a linguagem por eles empregadas para tornar inteligível seu objeto de estudo.
Bloch assevera, assim, que “a incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado”. A História cumpre, outrossim, finalidade prática imprescindível para o desenvolvimento de um país.
Nesse caso, seus ensinamentos constituem provas irrecorríveis de que a riqueza de uma nação aumenta em proporção às liberdades vigentes e ao grau de perfeição de suas instituições políticas e sociais; que uma indústria recém-estabelecida jamais poderá competir com sucesso com as indústrias mais antigas e mais sólidas de outros países, sem prejuízos para a economia nacional; que todo povo sustentado por ideias progressistas e instituições livres, deve procurar as garantias para a continuidade da sua prosperidade e soberania mediante o desenvolvimento independente de seus próprios poderes.
Por fim, dos ensinamentos da História, pode-se vislumbrar que causas foram motivos do sucesso e do declínio dos diversos países ao longo dos séculos, buscando apreender disso um entendimento claro e distinto sobre os efeitos nefastos da fragmentação política e da ausência do sentimento identitário de nação, para construção de uma sociedade mais justa.
Flávio Santos Oliveira é doutor em História