Calçadas, rampas, corrimãos e bancos. Para quem anda pelas ruas da Grande Vitória, diariamente, são apenas parte da arquitetura e urbanismo das cidades. Já, no olhar do skatista, esses elementos podem se tornar obstáculos perfeitos para serem superados com manobras surpreendentes.
O capixaba Deivid Santos Gama, de 31 anos, já acumula 17 anos de experiências sobre as rodinhas e costuma dar um rolê – maneira como os skatistas se referem ao fato de andar pela cidade, fazendo manobras – de skate pela cidade todos os dias.
Uma dessas sessões de treinos foi registrada pelo canal 27SKT, do fotográfo de A Tribuna, Leone Iglesias, e de seu parceiro Bruno de Lima Maia, mais conhecido como Bruno Maka. As imagens foram feitas em locações na Reta da Penha e Bento Ferreira, em Vitória, e também na Prainha, em Vila Velha.
“Foi muito legal ser convidado pela equipe do canal. Eles trabalham há muito tempo com fotografia e vídeos também. Sempre me fotografaram ou filmaram. É legal fazer esse tipo de imagem, exploradno a rua que é um local difícil de andar, porque ela não é projetada para o skate”, disse Deivid sobre a experiência.
Deivid começou no skate aos 14 anos, descendo ladeiras com o equipamento que ganhou da mãe – umas das recordações que guarda dele, que faleceu há 11 dias. “Do lado da minha casa, morava um cara que já andava de skate, o Alexandre Sobral, que é conhecido no meio. Dali, comecei a andar com ele, mas não sabia fazer manobra, só descer morro”, lembrou o capixaba.
As primeiras manobras vieram pouco tempo depois, quando montou seu próprios skate com a ajuda de amigos. A partir daquele momento, os elementos da paisagem que compõem as ruas passaram a ser os obstáculos a serem superados com o improviso nas manobras. “Comecei a conhecer os obstáculos. Conhecer o que era um corrimão, um palco. Depois de muitos anos comecei a descer corrimão de escada”, disse ele.
Com as manobras vieram os campeonatos. Hoje, Deivid tem uma coleção de trofeus em casa. Segundo ele, são 58 conquistas expostas em sua galeria. Entre elas estão seis títulos do campeonato estadual e o oitavo lugar em um campeonato brasileiros, ambos na categoria amador.
O próximo passo para ele é a profissionalização. Para ser profissional do skate tem que fazer ranking em campeonatos vizinhos, porque a pontuação vai para a Confederação Brasileira. É um curriculo seu, mostrando que você competiu nos outros estados”, explicou ele.
Outro sonho para o capixaba – caso a profissionalização se concretize – é a disputa das Olimpíadas. A partir de 2020, o skate passa a ser considerado modalidade olímpica. “Venho treinando bastante para chegar nesse nível de Olimpíadas”, disse ele.
“Ideia é mostrar a cena do skate”, conta fotográfo
As imagens do rolê de Deivid pelas ruas de Vitória e Vila Velha foram feitas pelas lentes do fotográfo de A Tribuna, Leone Iglesias, e de seu parceiro Bruno de Lima Maia, mais conhecido como Bruno Maka. Os dois criaram o canal 27SKT voltado ao público que curte a modalidade.
O fotográfo começou a andar de skate em 1994 e revelou que conhece Bruno já há muitos anos. Além de filmar e andar de skate, Bruno também é DJ.
“A gente quer mostrar o que está acontecendo no meio da cena do skate. Mostrar que tem gente andando de skate, que tem diferentes grupos andando de skate. Ao longo do nosso canal, a gente vai mostrar uma galera e grupos que se encontram sempre para andar. Na Praça dos Namorados, por exemplo, tem uma galera que faz vaquinha e eventos para consertar a pista ou construir obstáculos”, contou Leone.
Além de divulgar as manobras dos skatistas, o canal ainda fortalece o conhecimento de artistas e bandas capixabas. Nos vídeos, as trilhas sonoras utilizadas são de cantores do Espírito Santo, como é o caso do grupo Suspeitos na Mira, que foi a banda escolhida para o vídeo de Deivid com a música “Hô Lugar” – os rappers também estão no clipe de apresentação do canal, interpretando “Convoca”.