Nove horas e 14 minutos é o tempo médio que o brasileiro fica conectado à internet. Entre os jovens, esse tempo pode ser ainda maior, segundo especialistas.
Tal comportamento está provocando mudanças na forma de estudar e aprender, o que traz desafios para pais e escolas, como um novo tipo de formação, disciplina e mediação das tecnologias e redes sociais, além da capacitação socioemocional dos alunos.
Para o diretor da Escola Monteiro, Eduardo Costa, a educação hoje vive uma grande dificuldade, que é a de encontrar metodologias e propósito.
“Estamos em uma época na qual há muitos recursos para usar dentro da escola, mas esses, por si só, não representam nada. A intencionalidade do uso do recurso é o que mais importa nesse momento. Temos de nos provocar a pensar sobre isso”, destacou Eduardo, que também faz parte do conselho do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES).
Para o diretor-presidente da Fundação Telefônica Vivo, Americo Mattar, as escolas têm muitos desafios nessa era digital. Mas um dos principais é a baixa incorporação tecnológica, principalmente nas unidades do sistema público.
“Embora 80% das escolas tenham algum tipo de conectividade, a velocidade de conexão é baixa. Menor até do que em nossos celulares pessoais, às vezes”.
A fundação tem parcerias com escolas de todo o Brasil e, segundo Américo, há locais onde alunos não conseguem nem abrir uma página na internet que seja mais dinâmica.
A psicanalista e palestrante Jane Patrícia Haddad destaca que é preciso mudar urgentemente a forma de ensino no País.
“O mundo está mostrando que há alguma lacuna na nossa formação. Por muito tempo, trabalhamos o cognitivo das crianças, dando um monte de atividades. Só que hoje vemos que elas não estão sabendo lidar com as relações humanas e o autoconhecimento”.
As famílias também enfrentam desafios na educação dessa geração que se desenvolve na era digital. O principal deles, segundo a escritora e filósofa Tania Zagury, é o excesso de conectividade e uso de tecnologias.



