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Polícia

Chefões encomendavam casamentos para mulheres levarem drogas até a cadeia

As investigações da Polícia Civil revelaram que as ordens eram dadas por chefões de quadrilhas, de dentro da cadeia, através de cartas levadas por ...

Advogadas estão no Presídio Feminino de Cariacica.

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Advogadas estão no Presídio Feminino de Cariacica. (Foto: Thiago Coutinho/AT)

As investigações da Polícia Civil revelaram que as ordens eram dadas por chefões de quadrilhas, de dentro da cadeia, através de cartas levadas por duas advogadas, identificadas como Gabriella Ramos Acker e Luezes Markerlle Rocha. Entre as determinações dos bandidos estavam até mesmo a encomenda de casamentos.

Trecho do inquérito policial ao qual A Tribuna teve acesso detalha o conteúdo das cartas. A polícia acredita que o esquema de casar e separar, revelado na primeira fase da Operação Ponto Cego, servia para levar drogas e outros produtos ilícitos para dentro dos presídios, durante visitas íntimas que eram possíveis por causa dos casamentos de fachada. A operação resultou na prisão das duas advogadas.

“Fala com ele que é para desfazer essa união (…), porque, agora, só desfaz com advogado. (…) É para você dar uma olhada na mulher e ver se é boa e já fazer união estável”, diz uma das cartas escritas por Gabriella, segundo a polícia, a pedido do preso Alex Santos Silva, o Baiano.

As investigações apontam Baiano como membro de uma associação criminosa chefiada por Marcelo José Furtado, o Marcelinho do Vale, que, de acordo com a polícia, é chefe do tráfico em Vale do Sol, Viana.

Outra carta escrita por Gabriella diz como deve ser a “candidata” a mulher de preso: responsável e solteira. “Sobre a sua amiga que está em casa, vamos colocar ela para visitar o Washington de Carvalho Filho. Já liga na irmã dele, para pegar os documentos do Washington (…) e já fazer a união estável. Você garante que ela é uma mulher responsável e, se tiver algum namorado antes ou preso ou outro envolvimento, resolve isso antes”, diz outro preso, Rodrigo Damásio Rosa, a sua mulher.

Gabriela e Luezes foram presas na última terça-feira (20) e seguem a disposição da Justiça no Centro Prisional Feminino de Cariacica (CPFC).

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