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Paciente denuncia médico por assédio

Uma operadora de telemarketing, de 22 anos, denunciou à polícia um assédio que teria sofrido por parte de um médico, 46, durante uma consulta em um ...

Delegacia onde operadora de telemarketing fez denúncia contra médico. Ele teria dito a ela: “Fica comigo, sou legal".

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Uma operadora de telemarketing, de 22 anos, denunciou à polícia um assédio que teria sofrido por parte de um médico, 46, durante uma consulta em um hospital particular da Serra, na tarde de de quarta-feira (28).

A jovem, que terminou um relacionamento com uma mulher recentemente, recebeu propostas do médico para sair e teria ouvido que ele poderia mostrá-la “o que um homem de verdade faz”.

A paciente contou à reportagem que marcou uma consulta no hospital com um clínico geral porque estava com dores no ouvido e de cabeça. No consultório, ela aproveitou para relatar que estava com sintomas do que ela acredita ser síndrome do pânico.

Delegacia onde operadora de telemarketing fez denúncia contra médico. Ele teria dito a ela: “Fica comigo, sou legal

“Eu não conseguia mais entrar no ônibus. Se tivesse várias pessoas ao meu lado, eu começava a ficar com medo do nada. Aí ele me perguntou o porquê dessas crises. Eu falei: ‘não sei, foi do nada’.”

Segundo o relato da operadora de telemarketing, o médico perguntou se ela tinha namorado. Ela respondeu que havia terminado um relacionamento recentemente.

O médico teria perguntado, então, qual era a idade “dele”. Foi nesse momento que começaram as perguntas e propostas que constrangeram a vítima.

“Eu respondi: ‘Não é ele. É ela’. Aí ele estava para trás com a cadeira e, de repente, veio mais para frente, para perto de mim e perguntou: ‘Você namora uma menina?’ Eu disse: ‘Sim, namoro uma menina’. Então ele soltou: ‘Você quer sair comigo?’.”

A paciente contou que rejeitou a proposta do médico e disse que o fim de seu relacionamento era muito recente.

Nesse momento, o médico teria dito que também havia terminado um relacionamento de 18 anos havia três meses e que os dois poderiam se ajudar.

“Ele disse: ‘A gente pode sair, um ajudar ao outro e eu posso te mostrar o que um homem de verdade faz’”, detalhou a paciente.

A partir desse momento, ela relata que ficou em estado de choque. “Tudo o que ele falava eu só respondia com a cabeça. Aí ele ficou falando: ‘Fica comigo, eu sou legal’ e repetiu várias vezes a mesma coisa”, contou a mulher.

O nome da paciente não está sendo divulgado a pedido dela. O nome do médico não está exposto porque o caso está em investigação.

Hospital diz que vai apurar conduta do profissional

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do hospital onde teria acontecido o assédio respondeu que abriu uma sindicância para apurar a conduta do médico.

“O hospital informa que recebeu reclamação relacionada ao atendimento do médico, abriu uma sindicância e está apurando a denúncia. Tão logo as investigações sejam concluídas, tomará as medidas cabíveis para o caso”, diz a nota.

A operadora de telemarketing que denunciou o médico por assédio contou que passou mal durante as investidas do profissional e voltou a ter os sintomas que ela acredita serem de uma crise de pânico.

“Teve uma hora que eu não estava aguentando mais e fiquei olhando para a porta e comecei a tremer. Basicamente tive uma crise ali. E ele, além de clínico geral, é psiquiatra. Ou seja, daria para notar que eu não estava bem.”

A mulher contou que, após perceber que a paciente estava trêmula, o médico disse para ela ficar tranquila, pois o que estava acontecendo ali não era um assédio. Antes de a paciente sair da sala, o médico deu um abraço apertado nela.

A reportagem não conseguiu confirmar se o médico denunciado é, de fato, psiquiatra. O site do Conselho Regional de Medicina (CRM-ES) informa, apenas, que o registro do médico está regular.

Após o ocorrido, a vítima diz que espera que algo seja feito. “Fiquei com medo e nojo. Espero que façam algo, porque não sei se fui a primeira e se serei a última”.

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