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Três áreas da Vale são interditadas em Vitória

A Prefeitura de Vitória interditou ontem por tempo indeterminado parte da mineradora Vale no Complexo de Tubarão, em Vitória. O motivo alegado pela ...

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A Prefeitura de Vitória interditou ontem por tempo indeterminado parte da mineradora Vale no Complexo de Tubarão, em Vitória. O motivo alegado pela prefeitura é de que há vazamento e transbordamento de rejeitos de minério no mar.

A interdição aconteceu por volta das 19 horas e atinge três áreas da empresa: o pátio de insumos próximo à chamada Lagoa 9, em que há concentração de carvão, minério e calcário; as vias de circulação da Vale, que contribuem para o aumento de sólidos suspensos no ar, como carvão e minério; e a bacia de sedimentação e reservação, que é o espaço final de chegada dos resíduos provenientes da indústria.

É essa bacia que, segundo o secretário de Meio Ambiente de Vitória, Luiz Emanuel Zouain, tem vazão incompatível com o volume de resíduos que recebe, fazendo com que transborde para o mar.
Há, segundo ele, vistorias semanais na Vale que vêm detectando o transbordamento de rejeitos.

A prefeitura também multou a mineradora em dois autos de infração, totalizando R$ 35 milhões. “Ninguém está acima da lei em Vitória, do mais humilde dos comerciantes até a maior das empresas.”

Já o prefeito Luciano Rezende disse à reportagem que “acabou a época de justificar, por exemplo, a geração de emprego poluindo a cidade e acabando com a saúde da população”. “Vamos apertar o cerco. Agora, tem de gerar emprego, imposto e não poluir”, frisou.

Procurador-geral do município, Rubem Francisco de Jesus salientou que é “preciso práticas mais duras para coibir esse descaso”. Ele disse que a interdição vale até que os problemas sejam resolvidos.

“Sem irregularidade”

A Vale informou que vai analisar o teor do auto de interdição para adotar as medidas cabíveis. “Nas últimas fiscalizações realizadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente não foi constatada nenhuma irregularidade e os laudos de monitoramento de outubro a dezembro de 2018 indicam que os efluentes estão dentro dos parâmetros estabelecidos”, disse a empresa.
Em nota, a Vale ressalta que monitora os corpos d’água que recebem efluentes há mais de 30 anos, sem que haja qualquer alteração na qualidade da água.

Sensor de barragem mostrou “anormalidade”

O geólogo da Vale Cesar Grandchamp informou à polícia federal que 15 dias antes da tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, um sensor teria reportado uma “anormalidade”.

O geólogo recebeu no dia 10 de janeiro um e-mail constatando anormalidade na leitura de um dos piezômetros, equipamento que mede a pressão nas barragens de rejeitos, da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho.

A estrutura se rompeu causando a morte de ao menos 157 pessoas, sendo 134 identificados. Há ainda 182 desaparecidos.

De acordo com o geólogo, não é “normal” que, até o dia 25 de janeiro, quando ocorreu a tragédia, nenhuma providência tenha sido adotada pela mineradora.

A Vale declarou que está fazendo apurações internas e diz ter constatado que as mensagens ficaram restritas a integrantes do corpo técnico e operacional local da empresa (não foram enviadas a instâncias superiores).

A mineradora disse ainda que as auditorias de 2018 atestaram a segurança.

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