
O espectador desavisado que assista “Infiltrado na Klan” pode pensar que a premissa do filme é absurda demais para ser verdade: um negro disfarçado em um grupo abertamente racista. A frase que aparece na tela logo no início, no entanto, deixa claro que aquela história aconteceu, mas será contada de uma forma estranhamente bem humorada: “Essa parada é baseada em uma merda muito, muito real”.

O filme conta a história de Ron Stallworth, o primeiro negro a trabalhar na polícia da cidade de Colorado Spring. Ele é interpretado pelo desconhecido (pelo menos por mim) John David Washington, filho de ninguém menos do que Denzel Washington, que já estrelou outros filmes de Spike Lee. John, inclusive, merecia um espaço entre os indicados a melhor ator por sua atuação debochada.

Para não ser descoberto, ele conta com a ajuda do amigo policial Flip (interpretado por Adam Driver, indicado ao Oscar de ator coadjuvante). Branco e judeu não-praticante, Flip chega a declarar que antes de se infiltrar na Klan não pensava muito sobre ser judeu. Agora, conhecendo de perto a organização, que também prega contra os judeus, ele “pensa nisso o tempo todo”.
A frase é um tapa na cara daqueles que enchem a boca para falar que “racismo não existe”, frase geralmente dita por quem não é negro e, por isso, obviamente não sofre com o preconceito. Somente estando na pele da vítima – como o judeu Flip e o negro Ron – para entender.
Cinematograficamente falando, “Infiltrado na Klan” não traz nada de muito inovador, e talvez por isso não deve ficar com prêmios principais. O roteiro é simples e o enredo é contado de forma tradicional, com início meio e fim, sem firulas, mas bom de assistir! A fotografia é bonita, e vai pelo tradicional, com movimento e cores remetendo aos anos 1970.
