
“Boa noite!”, cumprimenta ela, que aceita parar para contar sua história. Durante a entrevista, observada da esquina por um grupo de cerca de quatro rapazes também moradores em situação de rua, ela revela que mora nas ruas há 12 anos, mas tem residência fixa, em um bairro do município. Nesse período, ela tem alternado passando dias na rua e outros em casa junto com a mãe e os filhos – uma menina, de 9 anos, e um garoto, de 3.
Além do urso, que ela relata ter ganhado de um cliente durante um programa, ela tem guardado no sutiã, um cachimbo para consumo de crack.
“Experimentei o crack em um motel com um rapaz. A gente estava usando cocaína, queria mais pó, mas ele falou que o pó tinha acabado. Dei a primeira bola (fumada) no crack. Acabou!”, disse ela sobre o vício.
Na época, ela tinha 21 anos e estava grávida de seis meses da filha mais velha. Mas a jovem começou a usar entorpecentes aos 13 anos, quando pela primeira vez, fumou maconha. Um ano depois, ela perdeu o pai e ganhou a companhia da cola, depois do tiner e da cocaína. “Sonho voltar a ser uma cidadã honesta, uma pessoa digna de está na sociedade”, conta ela, emocionada.
Ao fim da conversa, a jovem se despede com um beijo no rosto. “Vai com Deus”, deseja ela.
Leia a entrevista completa com a moradora em situação de rua na edição desta quarta-feira do Jornal A Tribuna.