Além da preocupação e apreensão com a saúde das crianças que apresentaram sintomas como a diarreia, os pais de alunos da creche particular de Vila Velha, onde um surto infeccioso é investigado, ainda têm enfrentado outras dificuldades: informações desencontradas e discriminação até para conseguir vagas em outras escolas.
Os advogados Rodrigo José Pinto Amm, de 40 anos, e Nathália Souza da Silva, 33, são pais de uma criança da creche e fazem parte de uma comissão que foi formada. Eles contam que pais têm se mobilizado para cobrar respostas para problemas que vêm enfrentando.
“Ao contrário do que diz a Secretaria de Saúde de Vila Velha, não fomos procurados para receber explicação ou procedimento do que fazer. Ouvimos que nossos filhos tinham de ficar de quarentena, mas não sabem explicar o motivo, já que as crianças não tiveram sintomas”, afirmou Rodrigo.
O casal também revelou dificuldade de pais para conseguirem uma vaga em outra creche, já que muitos precisam trabalhar.
“Ao procurar vagas em creches temos sofrido um preconceito. Eles chegam a dizer que há vagas, mas quando falamos de onde a criança vem, dizem que não tem mais. Ouvimos que existe orientação para que não aceitem os nossos filhos em creches e colégios”, contou Rodrigo.
Ele relatou que o preconceito surge, principalmente, de informações desencontradas, que têm feito com que outros pais também fiquem com receio de deixar os filhos perto de crianças da creche.
“Um pai contou que a babá chegou na praia com a criança e todos saíram de perto. Conversamos com pediatras e infectologistas que disseram que não tem esse prazo de 21 dias para crianças sem sintomas ficarem isoladas”.
Segundo Nathália, o que foi dito por médicos é que, para crianças assintomáticas, o prazo de monitoramento é de 10 dias.
Ela ressaltou que, até o momento, quatro crianças apresentaram sintomas da síndrome hemolítico-urêmica (doença grave que se caracteriza por insuficiência renal aguda e anemia hemolítica). “Temos crianças que foram notificadas com problemas diversos, por exemplo, respiratórios, sem relação com a bactéria”.
Nota conjunta
Nas redes sociais, um texto de “Nota de Repúdio”, assinado em nome dos pais das crianças matriculadas nesta creche da Praia da Costa, criticou o que chamou de “tratamento sensacionalista e oportunista” dado pelas autoridades.
Ao final da nota, os pais pedem respeito e chamam de “bullying” a situação enfrentada pelos filhos.

