Por Luciana Pimentel

Com o avançar dos anos, são os filhos que passam a cuidar dos pais. A idade chega para todos e as limitações também, e é nessa hora que o amor e a gratidão falam mais alto e os papéis se invertem.
Professor de Psicologia, Francisco de Assis Lima Filho explicou que existe uma alta probabilidade de os filhos se tornarem cuidadores dos pais, já que as pessoas estão vivendo muito mais do que viviam antigamente.
“Em 1900, um casal de meia-idade tinha apenas 10% de chance de ter pelo menos um dos pais vivos. A partir de 1976, essa porcentagem aumentou para 47% e hoje é maior ainda. O problema é que ainda estamos em uma cultura onde a maioria das pessoas espera assumir o cuidado dos filhos, mas não espera ter que cuidar dos pais”, pontuou o especialista.
Manter a autonomia do idoso nesse processo é um grande desafio. A terapeuta de família Cássia Rodrigues destacou que para dar equilíbrio a essa inversão de papéis, os filhos precisam ser mais maduros que os pais. E é muito importante respeitar as vontades do idoso.
“Quando ele está apenas com limitações físicas, e não psíquicas, precisa ter as suas vontades respeitadas, se sentir útil. Isso é respeito”.
Para Cássia, o mais importante é o filho se colocar no lugar dos pais. “O filho precisa lembrar que daqui uns anos é ele quem estará nesse papel”, salientou a especialista.
A psicóloga da Medconsulta Dilma Ribeiro Cursino frisou que os filhos podem e devem ajudar, mas precisam deixar o idoso escolher o que é melhor para ele.
“Ele pode e deve ser ouvido. Não é saudável privá-lo de sua liberdade nem limitar sua autonomia. Cuide-se para não infantilizá-lo ou incapacitá-lo ainda mais. Olhe seus pais com carinho e amor”, lembrou.

