
Love, Death & Robots (Amor, Morte e Robôs) não é uma série para qualquer um. Se por um lado, grande parte do público pode amar os episódios das animações; por outro, há quem possa odiar as tramas logo nos minutos iniciais.
Digo isso porque o seriado é uma antologia animada. Isso significa que cada episódio conta uma história e tem um estilo de animação diferente. Isso também vale para a duração. Enquanto um pode durar 6 minutos, outros duram 17, e assim vai.

Em comum há humor ácido, críticas à sociedade e uma estética de tirar o fôlego. Visualmente os episódios são impecáveis e vão de uma animação básica em 2D, passam por personagens em 3D mesclados com elementos 2D (similar ao longa-metragem Homem-Aranha no Aranhaverso, que ganhou o Oscar este ano), stopmotion, e chegam a uma incrível Computação Gráfica, feita por meio de captura de movimentos.
Em alguns episódios, os cenários são tão reais e possuem tantas camadas que fica difícil acreditar que tudo foi gerado por computador. O trabalho técnico é primoroso e já teríamos facilmente um vencedor do Emmy do ano, se não fossem as peculiaridades de sua exibição.

O roteiro dos episódios também surpreende. Em poucos minutos já somos “jogados” em universos nunca antes vistos, com suas próprias regras e costumes. Mas isso não confunde, ao menos a princípio. Isso porque o público que busca uma história literal, “mastigadinha” e com início-meio-fim pode encontrar dificuldade para se encontrar em meio aos episódios.

Se por um lado a diferença estilística pode afastar o público que está acostumado com uma história linear, por outro ela faz com que os demais raramente enjoem ou desistam do seriado. Caso ele não gosto de um episódio ou estilo de animação, basta pular para a próxima, sem nenhum prejuízo para a obra em si. E isso só é possível graças ao estilo do streaming não linear oferecido.
Love, Death & Robots ainda não é série do ano como muitos exageram, e certamente não será tão popular na plataforma de streaming. Mas, sem dúvida, é uma diversão para quem se propõe a mergulhar nesse infinito universo da animação.