A maior tragédia na vida de Felipe Barbosa Ramos também se transformou no início de uma história de amor. Ele superou desafios e concretizou sonhos ao lado da fisioterapeuta Letícia Cabral.
Após sofrer um grave acidente de carro, em 2007, voltando de Itaúnas para São Mateus, Felipe, que na época tinha 23 anos, entrou em coma e acabou ficando tetraplégico. Porém, a mudança de vida fez com ele encontrasse um novo amor.
A história teve início quando Felipe, hoje com 35 anos, iniciou tratamento com a fisioterapeuta Letícia, atualmente com 38 anos.
“A nossa relação era de paciente e profissional. Éramos muito amigos. Ela sempre me motivou e me colocou para cima”, disse Felipe.
Mal não sabiam ambos que a partir da clínica, entre um exercício e outro, Felipe iria construir uma amizade que resultou em um amor com Letícia. Eles se casaram em 2013.
“Sempre tive muita admiração por ele, pela superação. Ele foi conquistando e encantando. Eu via todo progresso dele, e aconteceu naturalmente”, disse a fisioterapeuta Letícia.
Felipe não caminha, mas conquistou muitas vitórias desde o acidente, já que virou paratleta. Ele pratica ciclismo e tênis, e está se entregando a uma nova categoria esportiva, o surfe. Felipe garante que não fica parado. “Sou vice-campeão brasileiro de handbike” (ciclismo para cadeirante), destacou.
“É gratificante como profissional ver o seu comprometimento. Ele dirige, leva nossa filha na escola, é muito ativo”, disse Letícia.
Para completar ainda mais o fruto da persistência, ter um filho era sonho dos dois e para isso, o casal recorreu à inseminação artificial, com coleta de material de ambos, na clínica Unifert. Da relação nasceu a pequena Laura, de 2 anos, que é apaixonada pelo pai.
“Minha família é tudo. Mergulhamos fundo no projeto de ter filho e ela veio do jeito que a gente queria”, disse emocionada Letícia.
“Não é só ajudar a ter um filho, é fazer parte da história. Fiquei muito feliz com o resultado”, afimou Carlyson Moschen, médico responsável pela clínica.
“Letícia sempre me motivou”
A Tribuna – Como foi o acidente?
Felipe Barbosa – Eu estava voltando de Itaúnas para São Mateus, mas como havia bebido e estava passando mal, dei a direção do carro para um amigo.
Deitei no banco de trás e dormi, sem cinto. Numa curva, ele perdeu o controle do carro e bateu num barranco. Fui projetado para frente e fraturei a coluna. Não sentia dor, mas minha perna já não respondia.
Qual foi sua reação ao saber que estava tetraplégico?
Foi um baque. No início, eu só mexia os ombros. E fui percebendo aos poucos. Mas quando saí do hospital, três meses depois, o médico falou que eu teria de me adaptar a essa nova vida.
Como começou o relacionamento de vocês?
Na época do acidente, eu era noivo, mas me separei dois anos depois. Fiquei muito amigo da Letícia, minha fisioterapeuta, criando uma proximidade grande.
Em 2009, vi que existia um tratamento experimental de célula-tronco na China e ela foi comigo, como intérprete. Até ali, era tudo na amizade. Mas lá rolou um sentimento e voltamos namorando. Letícia sempre me motivou e me colocou para cima.
E como foi a chegada da sua filha?
Sempre tive vontade de ser pai. Começamos a fazer o tratamento em 2014, mas a primeira tentativa foi frustrada. Mas na segunda, quando soube que deu certo, foi muito maneiro. Hoje, meu tempo é todo para ela, mas eu tenho pique.
