Constrangimento, incômodo estético e, até mesmo, dor durante a relação sexual são as causas mais frequentes quando o assunto é a procura pela cirurgia íntima. Só no Estado, a estimativa é de que 800 mulheres passam pela mesa cirúrgica por ano.
O dado tem como base o último levantamento, de 2017, realizado pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), em que mais de 28 mil brasileiras passaram pelo procedimento na vagina.
Segundo o cirurgião plástico Ariosto Santos, o Brasil é líder na cirurgia plástica vaginal, também chamada de rejuvenescimento íntimo.
“Essas cirurgias tiveram um aumento de 23%, comparado ao ano de 2016. Do total, 60% são para o procedimento chamado de ninfoplastia, que consiste em uma redução dos pequenos lábios vaginais”, explicou.
As mulheres que realizam esse tipo de cirurgia, segundo Ariosto, alegam que o fazem por motivos funcionais ou estéticos, com objetivo de reduzir ou remodelar os lábios vaginais. “As pacientes que se submeteram à técnica querem reduzir o tamanho estético, se expor melhor ao parceiro, melhorar a autoestima e procurar mais conforto e segurança”, disse.
A ginecologista Lorena Baldotto disse que a estética, o incômodo psicológico e a presença de dor durante a relação sexual são as principais motivações. “O tamanho exagerado dos pequenos lábios pode causar dor durante a relação sexual. O incômodo acontece durante a penetração”, explicou Lorena.
O cirurgião plástico Adriano Batistuta explica que esse tipo de cirurgia pode ser realizada pelo cirurgião plástico ou pelo ginecologista. “É retirada parte dos pequenos lábios e, então, são reconstruídas essas estruturas. As cicatrizes costumam ser discretas”.
O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia plástica no Estado, Ailton de Araújo Cerqueira, também pontua outros procedimentos. “Há também tratamento a laser, que provoca aquecimento para estimular a fibra do colágeno. Todas essas técnicas servem para dar um aspecto mais jovem para a região”, explicou.
SAIBA MAIS
Os números
- Em 2017, foram mais de 1,46 milhão de cirurgias plásticas no Brasil. Entre elas, mais de 28 mil somente para cirurgia íntima feminina.
- O Brasil é líder na cirurgia plástica vaginal, realizando quase o dobro do que foi feito nos Estados Unidos.
- A cirurgia de rejuvenescimento genital teve aumento de 23%.
- Em 2016, foram quase 13 mil intervenções nas partes íntimas femininas só no Brasil.
- O Brasil é campeão mundial no número de labioplastias (cirurgia para redução dos pequenos lábios vaginais). Só no Estado, a estimativa é de que 800 mulheres passam pela mesa cirúrgica por ano.
Procedimentos
Ninfoplastia ou Labioplastia
- A ninfoplastia é uma cirurgia plástica que tem por objetivo diminuir os pequenos lábios vaginais, estruturas que protegem a entrada da vagina. A cirurgia é feita, principalmente, em casos de incômodo estético ou até mesmo de dor durante a relação sexual.
- Para a realização da cirurgia, é utilizada a anestesia raquidiana ou peridural, com sedação simples. O procedimento dura, em média, uma hora. O período de repouso é de dois a três dias após a cirurgia. A vida sexual deve voltar, em média, 30 dias após a cirurgia.
Clitoroplastia
- intervenção cirúrgica para correção de anormalidade visual ou funcional do clitóris. Objetiva retirada daquele excesso de pele ou ainda diminuição ou aumento do clitóris.
Flacidez dos grandes lábios
- Quando o incômodo é nos grandes lábios, por esconderem os pequenos, terem excesso de pele ou flacidez. Para falta de volume, a solução é um enxerto de gordura. O cirurgião tira gordura das costas ou da barriga da paciente e coloca no local.
Tratamento a laser
- Rejuvenescimento vaginal a laser. O procedimento é indolor e rápido, intravaginal. Pode ser usado dentro da vagina para melhorar a musculatura, estreitar o canal vaginal, melhorar a lubrificação e a incontinência de urina.
Fontes: Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética (Isaps) e especialistas consultados.
