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Realidade macabra

Até hoje, questionamos o motivo do massacre ocorrido em Suzano-SP, onde vidas foram ceifadas de forma violenta e diante de uma frieza inexplicável. ...

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Até hoje, questionamos o motivo do massacre ocorrido em Suzano-SP, onde vidas foram ceifadas de forma violenta e diante de uma frieza inexplicável. Afinal, o que está acontecendo com nossos adolescentes? Na verdade, estamos diante de uma cena, na qual muitas famílias tem permitido que estranhos entrem e tomem posse do que seria de sua responsabilidade?

É a era de “filhos trancados no quarto”, onde os pais pensam que, diante desse comportamento, os mesmos estão em segurança longe de drogas e más companhias, porém, a percepção da fiscalização e filtragem através do cuidado em saber quem faz parte do mundo deste é desconhecida.

Muitos não têm acesso ao celular e nem sabem com quem o filho conversa ou mesmo o que vê nas redes sociais. A intimidade e o carinho perderam para jogos da internet. O mundo que agora faz parte da mente desse adolescente acaba por se associar com carências desejadas em vinganças. Instala-se agora nas famílias o medo em querer saber quem faz parte do mundo destes hoje.

Paul Bloom, em seu livro “O que nos faz bons ou maus”, fala das várias experiências feitas com bebês, e que estes, repetem de forma involuntária os gestos nas quais presenciam de seus pais. Freud, em seus escritos, deixa para nós sobre a subjetividade: “O sujeito constrói sua personalidade diante das precoces experiências infantis”. E quando passamos a entender esta fala, pensamos nas famílias com suas ideologias rígidas que, através do dogmatismo, não conseguem hoje ter um diálogo com o filho.

Tudo tem que ser resolvido através de um semblante severo, carregado de raiva e cansaço, que passa ao filho medo em se aproximar. Quando estes formam sua família agem da mesma forma como viveram e, assim, nossos adolescentes vão crescendo dentro de um terreno onde não existe uma fala de amor ou compreensão.

Quando ele não tem apoio e com quem falar sobre seus medos, expectativas e frustrações acabam desabafando nas redes sociais. E, na internet, vai sempre ter alguém que, sorrateiramente gentil, à espreita, como um caçador, estará selecionando pessoas com este perfil frágil e suscetível a aceitar uma ordem. Este derrama sua raiva e ira como ato de bravura que somada a uma paz e calma diabólica, num prazer macabro, mata e depois tira a própria vida.

Neste panorama, pensamos: o que havia por trás da vida destes que, com frieza e coragem, tiraram a vida de inocentes como algo simples em cumprir uma tarefa se livrando de um inimigo. Será que o cuidado com nossos filhos, diante de algo que nos tem cegado na conduta em perceber que o que faltava, na verdade era um tempo para fazer parte da vida deles? Nossos adolescentes estão estabelecendo parcerias e se rendendo aos encantos da brutalidade dentro da nossa casa. Seu quarto passou a ser um QJ.

Lá com alguém, ele estabelece regras ou aceita de outro com uma vontade macabra de fazer acontecer como no jogo em viver sua própria história. As mentes estão cheias de armas e jogos requintados jorrando sangue pela casa inteira sem que ninguém perceba. Até que um dia, chegam à escola e cruelmente como jogadores a fim de ganhar uma pontuação, avançam matando os alunos.

Pensam: passei esta fase, 10 mortos. Fim de jogo!

Maria Scardua Passos é pedagoga e psicanalista clínico

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