Como de costume em nossa sociedade, homenageia-se alguém somente após a sua morte. Assim, o falecido passa a receber deferências e tributos que, por vezes, não lhe foram oferecidos em vida. Este texto, porém, pretende fazer diferente. Em poucas – mas sinceras – linhas, almeja-se trazer a lume a rica e rara personalidade de José Pedro Luchi: honrado e vivíssimo Padre e Professor.
Não é difícil admirar-se com José Pedro Luchi. Basta ouvir uma de suas homilias, nas missas que preside, ou uma de suas explanações filosóficas, nas aulas que ministra, para concluir que não se trata de pessoa comum. Pelo contrário, Luchi é um indivíduo acima da média, em termos intelectuais, emocionais e, ainda, na capacidade de envolver a plateia que o acompanha.
Como intelectual, tem em sua formação acadêmica as graduações em Matemática e em Teologia, além de Mestrado e Doutorado em Filosofia. É Professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) há quase 30 anos, lecionando nos cursos de graduação e pós-graduação de Filosofia e Direito. Como docente, é figura estimada e requisitada pelos alunos, que se encantam e se deleitam com suas sapiência e erudição. É hábito de Luchi, em seus períodos de férias, dedicar-se exclusivamente aos estudos filosóficos, muitas vezes em universidades e bibliotecas do exterior. Não há dúvida: trata-se de alguém digno de sincera admiração, que inspira carreiras acadêmicas com seu exemplo de inesgotável saber.
A mencionada força emocional do Padre José Pedro Luchi já pôde ser comprovada, publicamente, em algumas ocasiões. Em uma delas, quando de sua remoção da paróquia de Jardim da Penha (Vitória), por conta de questionada decisão da Arquidiocese, veio à tona uma possível perseguição de membros da própria Igreja, enciumados com o “sucesso” que o Pe. Luchi fazia em sua comunidade. Superando o difícil momento com o apoio irrestrito dos fiéis, o vigor emocional de Luchi foi novamente testado ao ser colocado em situação de exposição pública, quando um famoso advogado o acusou de esconder a verdade em depoimento judicial, ignorando tal causídico o sigilo confessional que resguarda juridicamente o ministério religioso. Novamente, a energia mental do Padre e Professor manteve-se elevada e, sustentado pelo carinho e pelas orações dos amigos e admiradores, suportou mais uma árdua passagem.
Outra marca fundamental da personalidade de José Pedro Luchi é a eloquência com que expões suas ideias, seja na seara da Filosofia, com ramificações em Sociologia, História, Direito e Política; seja na área da Teologia; seja, ainda, na junção da mais complexa teoria filosófica com a prática. Luchi, na sala de aula ou no púlpito da igreja, tem o dom de aproximar os difíceis e abstratos problemas filosóficos da realidade prática e de adequar os fatos cotidianos às interpretações das mensagens bíblicas, aliando o sólido conhecimento racional com a sutileza e a sensibilidade que advêm da vivência na fé.
José Pedro Luchi é assim, multifacetado, de reconhecida nobreza moral, que conduz seu ministério religioso com dedicação incansável e coração aberto, fazendo frente às demandas emocionais e espirituais inerentes à miséria humana e à quadra atual; e que também persevera sem cessar no aprimoramento intelectual e científico. Parecem duas vidas distintas, mas que só podem coexistir em uma pessoa da estirpe de Luchi: um homem entre a razão e a fé, que nele convivem de maneira intensa e harmoniosa, emanando dessa união mensagens, experiências e ensinamentos em benefício de todos os que o cercam.
Vida longa e (ainda mais) profícua a José Pedro Luchi!
Carlos Fonseca é magistrado e escritor.