A operação que resgatou o bebê Ravi Pyetro de Carvalho Pinho, de 10 meses, em São Paulo, na terça-feira (30), foi de alto risco, já que a polícia temia que o pai da criança, Rodrigo de Carvalho Pinho, 38, assassinasse o próprio filho e se suicidasse em seguida.
O delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, José Darcy Arruda, explicou que a operação foi feita em conjunto entre as polícias capixaba e paulista. “Quando localizou onde a criança estava, imediatamente a polícia fez uma incursão e invadiu a casa, porque havia uma preocupação de o pai fazer alguma coisa com o filho e depois tirar a própria vida. Então teve que ser uma ação rápida, e essa ação então foi feita e resgatou a criança e deu voz de prisão ao pai”, afirmou o delegado.
Rodrigo tentou resistir à prisão e impedir que os policiais pegassem o menino. Familiares dele também serão ouvidos pela polícia. A mãe do acusado teria ajudado o filho a esconder o bebê. “Ele disse que, se fosse para ficar longe do filho, mataria o garoto e, depois, tiraria a própria vida. Por causa dessas ameaças, as coisas devem ficar mais complicadas para ele”, disse a delegada-chefe da Divisão de Capturas da Polícia Civil de São Paulo, Ivalda Aleixo.
No Espírito Santo, Rodrigo vai responder por descumprir uma medida protetiva que o proibia de se aproximar da mãe de Ravi, a cabeleireira Patrícia Paula Bull, 27. Ele será trazido sob escolta policial para o Estado e deve passar por uma audiência de custódia, assim que for liberado pela polícia de São Paulo.
Na Justiça de São Paulo, Rodrigo vai responder, ainda, por subtração de incapaz e por ameaça. Outra investigação ainda apura a participação de Rodrigo em crime de estelionato.
“Se o juiz conceder que ele visite o menino, vou seguir as orientações do juiz”, diz mãe de criança sequestrada pelo pai
Aliviada após saber que o filho Ravi Pyetro de Carvalho Pinho, 10 meses, foi encontrado bem, a cabeleireira Patrícia Paula Bull, 27, falou sobre a ansiedade, antes de ir a São Paulo encontrar o bebê. Antes de embarcar para buscar o filho, ela conversou com a reprotagem do Tribuna Online, no aeroporto de Vitória, na manhã desta quarta-feira (01), e afirmou que, caso a Justiça decida por permitir visitas do pai a Ravi, não vai se opor.
A Tribuna: Como você recebeu a notícia?
Recebi ontem umas 16h, pelo delegado Diego. Fiquei muito, muito feliz. Na hora eu não acreditei. Depois é que caiu a ficha. Fiquei muito emocionada, chorei de alegria. Porque agora acabou essa dor, essa angústia de não saber onde estava meu filho, se ele estava bem ou se não estava. O meu maior alívio foi saber que o menino estava bem, que havia sido bem tratado. Então agora é alívio. É só felicidade.
Está ansiosa para vê-lo?
Sim. Estou tão ansiosa que eu não dormi. Estou contando os minutos para chegar lá para pegar meu menino no colo, sentir o cheiro dele.
Qual vai ser a primeira coisa que você vai fazer quando pegar o Ravi no colo?
Eu vou abraçá-lo muito, muito, dar uns beijos nele e colocá-lo no peito. É o que ele mais gosta de fazer. É uma coisa que ele sempre fazia quando estava comigo, então é a primeira coisa que eu vou fazer.
Como vai ser daqui para frente? Tem medo do que Rodrigo possa fazer?
Eu tenho sim um certo medo porque, como ele está sendo preso, ele pode se revoltar mais ainda. Acredito que ele perdeu os direitos dele, por ter feito isso, praticamente sequestrou ele, e não deu nenhuma notícia, nenhuma informação. Então ele vai perder os direitos de visita, eu creio. Agora é esperar mesmo pelo juiz. E se ele conseguir direito de visitar o menino, só não quero que fique com ele longe de mim. Porque ele é o pai. Como ele não maltratou e cuidou bem dele, então eu acho que vai poder sim visitar o menino depois, quando resolver isso tudo na polícia.
Você acha que vai ser bom para o Ravi?
Na verdade ele era muito apegado ao pai e a mim também. Mas no momento que o Rodrigo saiu com ele de casa, ele não pensou nisso. Não pensou que o filho podia ficar doente sem a mãe, sem o peito. Então eu não sei. Essas idas e voltas, se ele ficar preso por um tempo e depois reaparecer, então a mente do menino vai ficar confusa. Mas se o juiz conceder que ele visite o menino, aí eu vou seguir as orientações do juiz, a decisão dele.
Porque você acha que o Rodrigo fez isso?
Acho que fez isso para me atingir, primeiramente. Porque ele falou que ia me fazer sofrer muito, porque ele tinha sofrido muito quando a gente se separou, quando eu não quis mais. E ele também tem um amor pela criança. Mas aí às vezes eu fico na dúvida se é amor mesmo. Porque ele falava que o filho era dele, só dele. Que era um projeto dele, não meu e nem de Deus. Então são essas coisas que me preocupam, porque uma pessoa normal não pensa assim. Como pai, ele deveria ter pensado na saúde do menino e não ter feito isso.
Por causa do tempo sem amamentar, você sente algum incômodo?
Sim. O leite empedrou. Todos os dias estou tirando. Nos primeiros dias estava com febre, mas agora deu uma melhorada. Porque como agora ele não está mamando, então deu uma diminuída. Mas eu estou fazendo de tudo para manter. Porque com certeza ele vai querer continuar mamando no peito.
Teve medo de acontecer alguma coisa com seu filho?
Sim. Tive muito medo. Por causa das ameaças do Rodrigo e de ele ter surtado. Isso para mim foi um surto.
Você acha que a família dele estava apoiando isso tudo?
Sim. A irmã dele e a mãe dele. Ele tem duas irmãs. Eles sabiam, sim. Porque a única pessoa que mantinha contato comigo, que não tinha me bloqueado, foi uma das irmãs dele, que não concordava com o que ele tinha feito.
