Em meio às montanhas de Vargem Alta, na região Serrana do Estado, vive o mestre Woo Jae Lee, ícone do taekwondo no Brasil, que aos 79 anos de idade ainda consegue quebrar uma tábua com a ponta dos dedos.
Woo Jae Lee é um dos fundadores do taekwondo no Brasil. Chegou ao país em 1971, após deixar a Coreia do Sul. Em março de 1972, ele fundou a luta de origem coreana no Rio de Janeiro, montando a primeira academia dessa arte marcial.
O vídeo em que Mestre Lee quebra com a ponta dos dedos uma tábua circula pela internet. Ele explicou que usa no golpe três dedos – indicador, médio e anelar.
Em Vargem Alta, onde vive com a mulher Moon-Ja Lee Choi, com quem é casado há 49 anos, mestre Lee se dedica à prática do taekwondo. O casal tem quatro filhos e cinco netos.
Desanimado com uma Coreia do Sul pós-guerra, Woo Jae Lee veio para o Brasil com a ajuda do general Choi Hong Hi, importante nome do taekwondo mundial, morto em 2002, que selecionou mestres coreanos para divulgar a luta fora daquele país.
“Naquela época a Coreia estava muito perigosa, com risco de invasão dos norte-coreanos. Tenho oito irmãos e nosso pai sempre nos aconselhou a deixar o país”, lembrou.
Quando saiu da Coreia do Sul, aos 31 anos, já era mestre de taekwondo. “Eu deixei esposa e uma filha pequena para trás e vim sozinho para o Brasil na intenção de trazer minha família mais tarde”, contou.
Morou primeiro em São Paulo, com outros seis mestres coreanos. Depois, se mudou para o Rio de Janeiro. “Quando cheguei, o sol estava quase nascendo. Nunca vi uma vista tão linda. Lá no alto, o Cristo com os braços abertos, parecia que estava me abraçando. Era um sonho”, relembrou.
A grande meta atualmente de Mestre Lee é resgatar o taekwondo original com o objetivo de popularizar a luta, que chegou a ficar em primeiro lugar e hoje está em 5º. Ele reclama que o estilo olímpico do taekwondo afastou os praticantes de artes marciais.
“Não usa mais a mão, só o pé. Não tem técnica de defesa. Não pode golpear no rosto. É apenas um esporte olímpico”,disse.
Veja a reportagem completa no Jornal A Tribuna deste domingo (19).
