A Prefeitura e Vitória retirou cinco ambulantes do entorno da Praça Getúlio Vargas, no Centro, na noite da última quinta-feira (02). De acordo com os ambulantes, agentes da Guarda Municipal e fiscais da prefeitura teriam chegado por volta das 22h, quebraram os cadeados das barracas e colocaram os pertences dos trabalhadores em um caminhão.
O ambulante Manoel José Silva de Oliveira, de 48 anos, estava no local no momento da desocupação. Ele trabalha há 32 anos no centro de Vitória.
“Chegaram aqui sem justificativa, sem aviso prévio e foram jogando tudo para cima do caminhão. Não teve conversa. Eu vendo salgados e refrigerantes, e todo o sustento da minha família, de cinco pessoas, depende desse trabalho”, contou.
Manoel ligou para a irmã, Solange Silva de Oliveira, que tem 50 anos e também possui uma barraca de salgados no local.
“Eu trabalho lá há 36 anos e nunca vi uma coisa parecida. Há um mês fomos notificados pela prefeitura. Eu mesma peguei os documentos de todo mundo que trabalha lá e fiz o cadastro na Sedec (Secretaria de Desenvolvimento da Cidade). Na semana passada, os fiscais passaram multando a gente, e ontem (quinta) aconteceu essa covardia”, explicou.
Solange contou que o colega, João Batista Alves, foi até a praça e pediu aos guardas para retirar os pertences dele. “Além de terem ignorado o pedido do João, ainda o algemaram e acorrentaram. Não tinha necessidade disso. Jogaram tudo no caminhão e levaram embora, nem sei para onde”, desabafou.
A filha de João, Liliane Alves, de 33 anos, disse ter ficado chocada ao ver o pai algemado. “Eu cresci ali no Centro da cidade vendo meu pai trabalhar, há 32 anos. Ele sempre foi batalhador, nunca teve problemas com a polícia, e vê-lo passar por uma situação dessas é revoltante”, relatou.
Liliane contou que a mãe dela, que faz os salgados para o pai vender, passou mal e precisou ser levada para o Pronto-Atendimento. O pai também passou mal e não consegue dormir e nem comer. “Levaram a fritadeira do meu pai. Eles tiraram a dignidade dele, porque tiraram o direito dele de trabalhar”, pontuou.
Retirada foi pacífica, diz secretaria

A nota informa ainda que: “Em cumprimento à Lei 6080/2003 (Código de Posturas de Vitória), os que insistiram em permanecer no local foram intimados a sair e, após decorrido o prazo legal de três dias, foi feita a retirada do material do espaço público ocupado ilegalmente”.
A prefeitura diz que abrirá processo de licitação para oferecer serviços públicos naquele local, na forma que determina a lei, que deve ser cumprida por todos. A Sedec, por sua vez, informa que “toda a ação aconteceu de forma pacífica”.
A reportagem questionou à prefeitura sobre o relato dos ambulantes, de que não teriam sido avisados da retirada, de que a ação foi truculenta, de que teriam feito o cadastro na Sedec e do motivo pelo qual os agentes teriam algemado e acorrentado o ambulante. A prefeitura, porém, não respondeu a esses questionamentos.
