Uma em cada três mulheres no Espírito Santo já enfrentou situações de machismo no trabalho, de acordo com estudo realizado pelo Centro de Pesquisas da Faculdade Pio XII.
Para o levantamento, 15 estudantes entrevistaram 440 moradores da Grande Vitória, na capital e nos municípios de Vila Velha, Cariacica e Serra. A coleta de dados foi feita entre os dias 2 e 8 de maio deste ano. A margem de erro é de 3.5% para mais ou para menos.
O machismo é um comportamento que recusa a igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, enaltecendo o sexo masculino sobre o feminino.
Um total de 33,3% das mulheres ouvidas pela pesquisa afirmou que já foi vítima desse comportamento no trabalho. E 46,14% dos entrevistados, de ambos os sexos, já presenciaram alguma cena de machismo no trabalho, seja de colegas, chefes ou mesmo de clientes.
O procurador do Trabalho e professor Bruno Gomes Borges da Fonseca explicou o que considera como machismo no ambiente de trabalho: “É qualquer conduta, ainda que omissiva, que diminua a empregada em razão da sua condição de mulher.”
Ele afirmou que o comportamento machista pode se manifestar sem a pretensão explícita de inferiorização do sexo feminino. Seja de forma intencional ou não, as mulheres seguem enfrentando diversos tipos de situação, disse ele.
Algumas ganham menos que os homens para exercerem as mesmas funções; outras ouvem dos superiores 
A diretora de diversidade da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Cynthia Molina, destacou que a maioria das empresas tem canais de denúncia que devem ser utilizados para relatar esses casos de preconceito. Ela também sugere conversar com quem foi machista, com respeito, explicando o que a incomodou.
Algumas empresas têm programas de diversidade para abordar assuntos como as diferenças. Outro recurso é avaliar o viés inconsciente dos profissionais para combater esse comportamento.
“Há muitas mulheres machistas”

A procuradora do Ministério Público do Trabalho no Espírito Santo (MPT-ES) Keley Kristiane Vago Cristo destacou que muitas mulheres não denunciam casos de assédio no trabalho, por exemplo, por no fundo terem uma percepção errada em relação à situação que estão enfrentando, muitas vezes sem apoio.
“Essa cultura patriarcal leva a mulher a equivocadamente se culpar por uma atitude errada dos homens em relação ao corpo delas. Uma ideia equivocada de que a mulher provoca”. Ela destacou que é preciso romper o silêncio, procurar a Delegacia da Mulher e o Ministério Público do Trabalho e denunciar. “Nós mulheres temos que apoiar umas às outras”.
E lembrou que o machismo também veda aos homens certas coisas, como demonstrar sentimentos, abraçando e beijando seus filhos. “É importante que os homens sejam criados de outra forma”, ponderou. As denúncias ao MPT podem ser feitas por meio do site prt17.mpt.mp.br. Ela garantiu que todos os casos são apurados.
Saiba Mais:
Machismo
- Trata-se do comportamento que recusa a igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, enaltecendo o homem em relação à mulher. Uma ideia errada de que eles são superiores a elas.
- O machismo está impregnado nas raízes culturais da sociedade, no sistema econômico e político mundial, nas religiões, nas famílias.
Origem
- É fruto de diversos fatores. Um deles é cultural, decorrente de uma sociedade patriarcal , na qual há domínio e autoridade do homem em relação a mulher e filho. Tal cultura tem origem na colonização, como uma herança portuguesa.
- Na contramão dessa concepção, mulheres estão buscando e conquistando cada vez mais igualdade.
