Pedalando em sua bicicleta laranja pela rua entre carros e motos, Victor Torquatto, de 22 anos, carrega nas costas uma caixa térmica verde de um aplicativo de entrega de comida.
O jovem, natural de Vespasiano (MG), chegou ao Espírito Santo com a mulher, de 19 anos, em dezembro do ano passado.
Depois de colocar alguns currículos em empresas, mas sem uma resposta positiva, Victor viu nos aplicativos de entrega, a chance de se tornar um “bikeboy”.
Para garantir seu sustento, ele chega a pedalar até 12 horas por dia, pelas ruas de Vitória. “Eu começo às 11 horas, 11h30. No meu caso, como está muito difícil, fico o dia inteiro para ter uma boa renda. Às vezes, vou até meia-noite”, revelou o jovem.
Essa rotina, conta Victor, dura a semana toda – apenas em algumas semanas, ele tira uma folga na segunda-feira, dia em que muitos restaurantes não abrem.
“Sempre dá para tirar mais do que um salário. Quando o mês está bom, consigo R$ 1.200, R$ 1.300 até R$ 1.500. Varia muito. Consigo pagar as minhas dívidas e até sobra uma grana para dar um rolé com minha mulher”, orgulhou-se ele.
Victor e outros bikeboys entregam não só lanches, mas também remédio e outros produtos – desde que caibam dentro das bags, como eles chamam as bolsas térmicas.
No mundo conectado, o pedido é feito pelo cliente com apenas um dedo, acessando os aplicativos de entrega pelo celular.
Como muitos desses pedidos são refeições, os bikeboys ficam perto de restaurantes principalmente nos horários de picos – das 11 horas até às 14 horas e das 18 horas até às 23 horas.
Assim que acionados, além do tempo para entrega, os entregadores ainda precisam superar obstáculos como o trânsito e buracos ou ruas sem asfalto. Tudo para entregar a refeição ou produto intacto e receber uma boa avaliação.
“Tem que ter cuidado e sempre prezar pela refeição do cliente. Assim, ele vai olhar e saber que você foi gente boa para fazer a avaliação”, explicou o bikeboy Dennis Guimarães Suzart da Silva, 22.
O entregador que tem avaliações mais altas no aplicativo, garante uma preferência para realizar o serviço. Isso é fundamental em dias de menor movimento.
De lanche a material de construção
Além de uma rotina diária que pode chegar a até 12 horas de pedaladas pelas ruas, os entregadores ainda encontram durante o trabalho, algumas peculiaridades.

Enquanto que o Uber Eats e o Ifood entregam apenas alimentos, os aplicativos Shipp e Rappi fazem entregas de qualquer produto.
Dennis tem como recorde 25 entregas em um único dia. “Já quilometrei em um domingo, que é o melhor dia. Rodei mais de 100 quilômetros”, informou o entregador.
No entanto, ele destaca que nem sempre vale a pena pegar viagens com uma longa distância, por conta do valor pago.
Sem bicicleta, alguns bikeboys recorrem ao aluguel de bikes compartilhadas para trabalhar. Há ainda o pagamento pela bag, que eles precisam comprar ao se cadastrar – as empresas cobram R$ 50 pela bolsa, segundo os entrevistados.
