Uma simples vistoria na loja Alves Couros e Decorações poderia ter evitado o incêndio que afetou nove imóveis na Vila Rubim. O problema é que os fiscais não dão conta de vistoriar todos as lojas da capital, de acordo com o subsecretário de Controles Urbanos, Otto Grellert.
“Licenciamos, por mês, 500 atividades. Não temos perna para estar em todos os lugares, até porque confiamos na boa-fé do dono e são poucos fiscais”, disse. Na região do Centro, que compreende oito bairros, são apenas cinco fiscais. O problema maior é que a irregularidade estava no terreno dos fundos da loja, onde foi construída uma edificação ilegal.
Essa construção não constava legalmente como parte da loja. A obra foi embargada pela prefeitura e recebeu R$ 130 mil em multas por não ser paralisada. Como o proprietário recorreu de todas, a lei não permitiu a ação demolitória.
Uma vistoria poderia concluir que a edificação irregular fazia parte da loja. “A fiscalização não atuou porque a loja, em si, estava licenciada. O foco é em cima de quem nunca teve alvará, então a loja estava fora do nosso radar”, disse Grellert.
A loja recebeu alvará da prefeitura após o primeiro alvará do Corpo de Bombeiros, em 2016. No entanto, o alvará dos Bombeiros venceu no fim de 2017 e nunca foi renovado. O alvará da prefeitura também venceu no mesmo ano. “O Corpo de Bombeiros só fiscaliza quando alguém solicita ou há uma denúncia”, ressaltou o tenente-coronel Carlos Wagner Borges.
